São Paulo, 08 (AE) - Aos gritos de "Pitta traidor", cerca de mil perueiros estacionaram hoje 500 peruas de lotação na Praça Ulisses Guimarães, em frente do Palácio das Indústrias, sede da Prefeitura de São Paulo, para protestar contra a decisão do prefeito Celso Pitta (sem partido) de não sancionar a lei que autoriza a legalização de mais 1,8 mil lotações. "Vamos ficar acampados aqui até que Pitta sancione ou vete a lei", disse o presidente do Sindicato dos Perueiros, José Célio dos Santos.
"O prefeito precisa definir-se", acrescentou. "Se ele realmente vetar, nós iremos organizar-nos junto aos vereadores para derrubar o veto", acrescentou Santos.
A lei que legaliza mais 1,8 mil perueiros foi aprovada pela Câmara Municipal, com o voto de 37 vereadores. "Vamos voltar a conversar com esses vereadores e com os demais para derrubar o veto do prefeito", disse o vereador Dalton Silvano (PSDB). "Não é possível que neste momento difícil de desemprego que os vereadores vão mudar de idéia", destacou.
"A categoria foi traída pelo prefeito", reagiu o perueiro Jarbas Levi da Silva, que atua na Cidade A.E. Carvalho. Ele lembrou que, no dia 27, Pitta recebeu o agradecimento de 300 perueiros. "Naquele dia, ele disse que Ía sancionar a lei, pois entendia que as peruas de lotação já faziaM parte do dia-a-dia do transporte da população, principalmente da periferia, que não é atendida por ônibus; e agora faz tudo ao contrário", disse.
Para a perueira Isabel Ferreira Pontes, os perueiros foram usados pelo prefeito. "Naquele dia, a Câmara Ía decidir se votava ou não o impeachment do Pitta e, em troca da sanção da lei, ele pediu que fôssemos o apoiar; nós cumprimos nossa parte, mas ele não", reagiu a perueira da zona leste.
Para o perueiro Severino Ferreira Pinto, que faz lotação na Estação Belém do Metrô, Pitta, com objetivo de evitar protestos contra ele, deu uma trégua de apenas alguns dias para os perueiros. "Na quarta-feira (02), a fiscalização voltou a todo vapor, impedindo que gente trabalhasse", afirmou. "A fiscalização, auxiliada por policiais militares, obrigava os passageiros a descer e a cumprir o resto do trajeto a pé", disse.
"A fiscalização da prefeitura age como se a gente fosse bandido, chegando a apontar revólveres para nossas cabeças", afirmou o perueiro Olímpio Gomes.
A categoria começou a se concentrar na praça nas primeiras horas da manhã, mas só por volta das 14 horas o secretário de Governo, Carlos Augusto Meinberg, recebeu uma comissão. "Mas ele não resolveu nada", disse Santos.
O presidente do Sindicato dos Perueiros explicou que a comissão, integrada por vários representantes do setor de transporte, não vai resolver o problema da categoria. "Todos são contra nós", afirmou. "É como colocar um gatinho indefeso no meio de oito leões famintos", comparou.

mockup