Londrina – Moradores de bairros das zonas sul e oeste vestiram roupas pretas para protestar ontem contra a instalação de uma rede de alta tensão de energia que ligaria três subestações da Copel, localizadas na zona oeste de Londrina. Parte da fiação cortaria a Gleba Palhano, um dos bairros mais valorizados da cidade.
O projeto desenvolvido pela Copel prevê instalação de superpostes com 25 metros de altura ao longo de 11 quilômetros. A rede tem 138 mil volts e deve interligar as subestações do Jardim Bandeirantes, à unidade da Copel localizada na Avenida Waldemar Spranger, no Jardim Igapó, por meio de uma nova subestação no Jardim Maringá.
A passeata contou com a participação de cerca de 500 pessoas, que percorreram algumas ruas do Parque Guanabara e Gleba Palhano. O protesto terminou com uma audiência realizada no aterro do Lago Igapó.
"Estão executando um projeto realizado em 2005. Por que não debater essa questão amplamente? A realidade da região naquela época era muito diferente da atual, que está densamente povoada", afirmou o presidente do Conselho de Condomínios Residenciais da Gleba Palhano (ConGP), Nairon Rodrigues Santana. O bairro abriga hoje 55 condomínios (pelo menos dez novas torres estão sendo erguidas), onde vivem cerca de 11 mil pessoas.
"Os países mais modernos do mundo usam fiação subterrânea, por que continuam utilizando esse sistema aqui em Londrina, que é a segunda maior arrecadadora da Copel do Estado?", questionou Santana.
Outra crítica é com relação a possíveis danos à saúde pública. "Vimos que as redes de alta tensão emitem radiação. Não existem estudos científicos comprovando, mas a longo prazo existe perigo de câncer infantil e leucêmico", observou.
A ConGP formalizou denúncia no Ministério Público, que defendeu a instalação do sistema de alta tensão na PR-445. Esta alternativa já foi descartada pelo Departamento de Estradas e Rodagens (DER).
A Copel, por meio de nota, informou que a definição do traçado da rede levou em consideração "aspectos técnicos, socioambientais e econômicos", critérios considerados no planejamento de todos os empreendimentos da empresa. A nota ressalta que o estudo do traçado foi elaborado em conjunto com técnicos do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) e da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema). A Copel conclui afirmando que vai dar prosseguimento ao projeto que tem prazo protocolado na Agência Nacional de Energia Elétrica(Aneel).

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