Protesto reúne cerca de 1,2 mil em Londrina
Silvana Leão
De Londrina
O Grito dos Excluídos começou em Londrina às 9 horas, no Posto Formigão, na Rodovia Celso Garcia Cid (zona sul), e seguiu em caminhada até o Jardim União da Vitória 4. Segundo os organizadores, cerca de 1,2 mil pessoas participaram algumas delas dando testemunhos da situação de exclusão em que vivem. Vários movimentos comunitários apoiaram a iniciativa, como o Conselho de Saúde da Região Sul (Consul) e a Central de Movimentos Populares.
Tentamos mostrar para a sociedade que, no Dia da Independência, devemos olhar para trás e enxergar que um país só é grande quando toda a sua população participa e usufrui de suas riquezas e seus bens, afirmou o padre Jorge Pereira de Melo. Ele lembrou que há cerca de 38 milhões de pessoas vivendo em condições de extrema miséria. Este ano, o evento usou como tema a frase do Hino Nacional Brasil, um filho teu não foge à luta, que foi pronunciada ao meio-dia em ponto em mais de 2.300 cidades brasileiras.
As situações de exclusão, segundo o padre, vão além: dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) apontam que nove milhões de brasileiros estão fora do mercado de trabalho. Aproximadamente 32% da população é de analfabetos funcionais (que possuem menos de quatro anos de estudo), sendo que em Estados do norte do País este índice pode chegar a 45%.
Melo falou também do número cada vez maior de brasileiros que não têm acesso à saúde pública, enquanto há profissionais sobrando em determinadas regiões, que poderiam suprir toda a necessidade de assistência médica do País. O aumento do número de famílias que não têm acesso à moradia é outro dado preocupante, na opinião do padre, que lembra ainda as distorções geradas pela má distribuição de renda.
Segundo dados do próprio governo, 10% da população detém 50% da renda do País, enquanto 50% da população mais pobre tem acesso a pouco mais de 10% de toda a renda nacional. É evidente que isto gera muita miséria, sofrimento e dor.





