Brasília, 07 (AE) - A marcha do Grito dos Excluídos, em Brasília, aconteceu a cerca de dois quilômetros do Setor Militar Urbano, onde o presidente Fernando Henrique Cardoso acompanhou o desfile em comemoração ao Sete de Setembro. A participação ficou abaixo do esperado pelos organizadores. Cerca de 300 pessoas protestaram contra a política econômica do governo e pediram soluções para problemas, como o desemprego.
Organizaram a marcha, em Brasília, a Central Única dos Trabalhadores, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). "Não tínhamos mesmo a expectativa de trazer muita gente porque em Brasília a marcha ainda não é tradição", disse o presidente da CUT no Distrito Federal, José Zunga, que não conseguiu reforçar o protesto como pretendia. Zunga contratou a participação de um cavalo de um catador de papel, por R$ 30,00, mas o animal acabou não sendo levado. "E olha que pagamos R$ 15 00 adiantados", lamentou.
A manifestação começou pouco depois das 9 horas. Os manifestantes caminharam do Centro de Convenções Ulysses Guimarães rumo ao local onde foi rezada a primeira missa em Brasília, próximo ao memorial JK. Acompanhando o carro de som, eles se dividiram em alas de desempregados, famintos, sem-terra, dos falidos, dos servidores públicos e da impunidade. Carregavam bandeiras do MST e faixas de protesto pedindo a saída do presidente Fernando Henrique Cardoso.
A caminhada transcorreu de forma pacífica. O presidente do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs, pastor Eruínio Schmidt
leu o manifesto "Mudanças já. Conclamação ao Povo Brasileiro"
no qual os manifestantes faziam críticas ao governo e pediam emprego, reforma agrária e a revisão do acordo assinadocom o Fundo Monetário Internacional (FMI).

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