Curitiba – O aniversário de um mês da "Batalha do Centro Cívico", como ficou conhecida a repressão violenta da Polícia Militar (PM) ao protesto dos servidores estaduais em Curitiba, foi lembrado ontem com uma nova manifestação. Participaram professores e outros servidores do Estado, além de integrantes de centrais sindicais. Relembrar o 29 de Abril não foi o único item da pauta do protesto. Os manifestantes reclamaram da proposta de reajuste salarial do governador Beto Richa (PSDB), apresentada na última quarta-feira, do projeto de lei da terceirização, que tramita no Congresso Nacional, e do ajuste fiscal, que também é analisado em Brasília.
A concentração dos manifestantes começou por volta das 10 horas na Praça 19 de Dezembro, a Praça do Homem Nu. De lá, os trabalhadores e estudantes seguiram a pé para o Centro Cívico, onde chegaram por volta das 12 horas. O protesto reuniu cinco mil pessoas, segundo os organizadores. A Polícia Militar calculou três mil. Os participantes soltaram bexigas brancas e fixaram uma grande faixa na grade que cerca a Assembleia Legislativa (AL). As pessoas que participaram da "Batalha do Centro Cívico" foram convidadas a deixar marcadas as mãos com tinta nesse painel. No dia 29 de abril, a ação violenta da PM causou ferimentos em 213 pessoas, a maioria professores da rede pública estadual.
Três pessoas estão em greve de fome em frente à AL. Eles se alimentam só de água e dizem que voltam a comer quando a crise entre governo e servidores terminar. O professor Pierre Pinto, 39 anos, estava ontem há cinco dias sem comer. Ele é de Roraima e tem um irmão professor no Paraná. A estudante de Artes Cênicas da Faculdade de Artes do Paraná (Fap), Juliana Campos, 22 anos, estava há três dias sem alimentos e a professora Nilza Batista Paz, 47 anos, de Matinhos (Litoral), entrou ontem no segundo dia da greve de fome.
Novamente, a principal palavra de ordem foi "Fora Beto Richa" - cento e cinquenta camisetas com essa frase foram vendidas (preço de R$ 25,) ontem de manhã no Centro Cívico. Segundo a professora Rafaelin Poli, de Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba), o dinheiro das vendas das peças será usado para cobrir despesas com o recém-criado Comitê Fora Beto Richa.

MST

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais (MST) fecharam por volta das sete horas as duas pistas do Contorno Sul de Curitiba, perto da Volvo. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, participaram do protesto cerca de 300 pessoas, que queimaram pneus na altura do quilômetro 588 da BR-376, causando um grande congestionamento. A PRF negociou com os manifestantes e a rodovia acabou liberada por volta das 10 horas. A principal reivindicação é o plano de metas de assentamento.

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