Protesto relembra o 29 de Abril em Curitiba
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sexta-feira, 29 de maio de 2015
Adriana De Cunto <br>Reportagem Local 
Curitiba O aniversário de um mês da "Batalha do Centro Cívico", como ficou conhecida a repressão violenta da Polícia Militar (PM) ao protesto dos servidores estaduais em Curitiba, foi lembrado ontem com uma nova manifestação. Participaram professores e outros servidores do Estado, além de integrantes de centrais sindicais. Relembrar o 29 de Abril não foi o único item da pauta do protesto. Os manifestantes reclamaram da proposta de reajuste salarial do governador Beto Richa (PSDB), apresentada na última quarta-feira, do projeto de lei da terceirização, que tramita no Congresso Nacional, e do ajuste fiscal, que também é analisado em Brasília.
A concentração dos manifestantes começou por volta das 10 horas na Praça 19 de Dezembro, a Praça do Homem Nu. De lá, os trabalhadores e estudantes seguiram a pé para o Centro Cívico, onde chegaram por volta das 12 horas. O protesto reuniu cinco mil pessoas, segundo os organizadores. A Polícia Militar calculou três mil. Os participantes soltaram bexigas brancas e fixaram uma grande faixa na grade que cerca a Assembleia Legislativa (AL). As pessoas que participaram da "Batalha do Centro Cívico" foram convidadas a deixar marcadas as mãos com tinta nesse painel. No dia 29 de abril, a ação violenta da PM causou ferimentos em 213 pessoas, a maioria professores da rede pública estadual.
Três pessoas estão em greve de fome em frente à AL. Eles se alimentam só de água e dizem que voltam a comer quando a crise entre governo e servidores terminar. O professor Pierre Pinto, 39 anos, estava ontem há cinco dias sem comer. Ele é de Roraima e tem um irmão professor no Paraná. A estudante de Artes Cênicas da Faculdade de Artes do Paraná (Fap), Juliana Campos, 22 anos, estava há três dias sem alimentos e a professora Nilza Batista Paz, 47 anos, de Matinhos (Litoral), entrou ontem no segundo dia da greve de fome.
Novamente, a principal palavra de ordem foi "Fora Beto Richa" - cento e cinquenta camisetas com essa frase foram vendidas (preço de R$ 25,) ontem de manhã no Centro Cívico. Segundo a professora Rafaelin Poli, de Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba), o dinheiro das vendas das peças será usado para cobrir despesas com o recém-criado Comitê Fora Beto Richa.
Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais (MST) fecharam por volta das sete horas as duas pistas do Contorno Sul de Curitiba, perto da Volvo. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, participaram do protesto cerca de 300 pessoas, que queimaram pneus na altura do quilômetro 588 da BR-376, causando um grande congestionamento. A PRF negociou com os manifestantes e a rodovia acabou liberada por volta das 10 horas. A principal reivindicação é o plano de metas de assentamento.


