Protesto rejeita transgênicos
Agência Estado
De Porto Alegre
Com uma grande faixa amarela na qual se lia Não seja cobaia, um grupo de militantes do Greenpeace entregou ontem, na Assembléia Legislativa/RS, um abaixo-assinado com 33 mil assinaturas contra o plantio de transgênicos no Rio Grande do Sul. Vinte integrantes da organização, metade usando macações brancos com a letra X em preto, entregaram o abaixo-assinado ao presidente do Legislativo, Paulo Odone (PMDB). Foi um protesto contra um substitutivo, em tramitação na Casa, que permite a semeadura de organismos geneticamente modificados no Estado.
Plantar transgênicos é proibido no Brasil por decisão da Justiça Federal. Enquanto o governo gaúcho quer tornar o Estado área livre de transgênicos, deputados do PMDB, PFL, PPB, PTB e PSDB que têm maioria no Legislativo e fazem oposição ao Executivo estadual pretendem aprovar o substitutivo englobando cinco projetos que, entre outros itens, autoriza a semeadura de organismos geneticamente alterados no Estado.
Um dos coordenadores no Brasil da organização ambientalista internacional, Délcio Rodrigues, chamou de golpe contra a democracia a pretensão de votar apressadamente algo tão grave sem uma discussão mais ampla da sociedade sobre o assunto. Rodrigues reiterou que o Greenpeace não aceita a liberação dos transgênicos antes do aprofundamento das pesquisas a respeito dos riscos que envolvem. É precaução, assinalou.
Cuidado, querem invadir sua mesa com os alimentos transgênicos, advertia um folheto distribuído pelos ecologistas. O texto também enfatizava que, embora vendidos nos Estados Unidos, os alimentos geneticamente modificados estão sendo repelidos pelo consumidor europeu. Isto fez com que grandes empresas, casos da Nestlé, Unilever, Danone e Barilla e redes de supermercados, como Carrefour, Tesco, Sainbury e Iceland, anunciassem que não venderão transgênicos. Mais duas entidades, a Associação Amigos da Terra e a Associação de Donas de Casa, enviaram representantes ao protesto.
O mentor da proposta que permite o plantio de transgênicos no Estado é o deputado Onix Lorenzoni (PFL), para quem é necessário respeitar a liberdade de escolha do produtor. O substitutivo quase foi aprovado na semana passada mas os partidos que apóiam o governo gaúcho PT, PSB, PDT e PC do B conseguiram impedir a votação. O parlamentar do PFL acha que, embora esteja vetado legalmente o cultivo deste tipo de semente, o Estado poderia aprovar uma legislação para permitir rapidamente sua semeadura se a sentença judicial for alterada em segunda instância.
Ao receber os representantes do Greenpeace, o presidente da AL disse que pessoalmente não vê necessidade de tratar o tema com tanta pressa. Odone voltou de viagem da Europa onde, segundo descreveu, existe uma forte rejeição aos alimentos transgênicos. E sugeriu que o assunto seja tratado sem passionalismo. Na avaliação do Executivo gaúcho, a declaração do Rio Grande do Sul como área livre de transgênicos poderia assegurar maior segurança alimentar e ecológica, além de propiciar futuros negócios com países importadores de alimentos não-transgênicos.





