Manifestantes colocaram capacetes em forma de cruz e fizeram orações no local em que ocorreu acidente
Manifestantes colocaram capacetes em forma de cruz e fizeram orações no local em que ocorreu acidente | Foto: Ricardo Chicarelli



Mais um protesto foi realizado nesta quarta-feira (25). Cerca de 25 motociclistas interromperam o trânsito por alguns minutos na rua Tanganica, esquina com a rua Osmy Muniz, local onde o motoboy Juan Nogueira, 19, acidentou-se e morreu no último dia 18. A via, que fica no Conjunto Hilda Mandarino, zona norte da cidade, possui fluxo intenso. A rua se estende por quase dois quilômetros: inicia nas proximidades do Terminal Urbano do Ouro Verde e segue até o viaduto, no Jardim Nova Olinda.

Os motociclistas formaram uma roda no trecho do acidente, dispuseram capacetes e motos em formato de cruz e rezaram um Pai Nosso em homenagem ao sétimo dia do menino. A rua Tanganica contém uma pista simples, de duplo sentido, mas é razoavelmente larga. A reivindicação por uma melhor sinalização no trecho é uma demanda antiga dos moradores de diversos bairros que permeiam a via, já que ela é um dos principais acessos para os vilarejos da região norte. Em janeiro deste ano, a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) iniciou processos de melhorias no trânsito naquele trecho, que não possuía sinalização desde que foi asfaltada.

O projeto de intervenção da rua Tanganica foi desenvolvido pelo Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina) em 2017, mas, segundo Denise Ziober, diretora de trânsito e sistema viário do Ippul, a CMTU não executou o projeto em sua totalidade. "O que constatamos foi uma divergência do projeto feito pelo Ippul e o que foi executado pela CMTU", aponta. A diretora disse que faltam elementos de engenharia de tráfego no local. De acordo com o projeto inicial, a conversão à esquerda para a rua Osmy Muniz seria resguardada para o transporte coletivo, com sinalização de baia zebrada e tachões refletivos (as chamadas "tartarugas"), o que não foi feito. Além disso, a faixa vermelha que delimita o espaço da ciclovia, colocada pela CMTU neste ano, não foi pintada.

As melhorias propostas também incluíam a instalação de tachões ao longo de toda via e a redução da velocidade máxima para 40 quilômetros por hora. As "tartarugas" evitariam a conversão em pontos proibidos e facilitariam a identificação durante a noite, quando a iluminação, segundo os motoboys, é precária no local. A via também não possui canteiros.

Hoje, a velocidade máxima permitida na rua é de 50 quilômetros por hora, mas, segundo os motociclistas, os veículos trafegam muito mais rápido do que o determinado. Segundo Denise, "na medida em que se coloca faixa de carro, de conversão, de ciclovia, disciplina-se o lugar onde cada um deve andar e a tendência é a velocidade diminuir para os motoristas terem tempo de reflexo".

O motoboy Cristiano Aparecido Alves, 33, disse que a ideia do protesto não é "saber quem está certo ou errado, mas buscar o melhor no trânsito". Eles pedem lombadas, sinaleiros ou radares, algo que faça os motoristas reduzirem a velocidade no trecho. Jefferson Emílio de Souza, 31, é um dos administradores do coletivo de motociclistas Duas Rodas e disse que o grupo "busca uma conscientização para que os acidentes diminuam, acabar é impossível", lamenta.

Por meio de nota, a CMTU afirmou que "está reavaliando com o Ippul o projeto de sinalização da rua Tanganica. Técnicos da Companhia vistoriaram o local nesta terça-feira (24) e as intervenções necessárias serão executadas".

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