Londrina – Os black blocs não apareceram. E diferente do clima de terror que marcou a manifestação contra o aumento no valor da tarifa do transporte coletivo em Londrina no mês passado, o quarto protesto organizado pelo Movimento Passe Livre ocorreu sem incidentes no final da tarde de ontem. Não houve arruaça e ninguém foi detido. Como de praxe, os manifestantes, a maioria estudantes secundaristas e universitários, se concentraram na Praça Rocha Pombo (centro) por volta das 17 horas. Quem já estava lá apenas para fugir do calor, passar o tempo (ou correndo contra ele) se dizia favorável às manifestações populares, desde que sem violência. "Acho que está certo. Se for pacífico, sem bagunça, sem atrapalhar a vida de quem não tem nada a ver com isso, tudo bem", dizia o aposentado Reinaldo Xavier, de 67 anos.
À medida que os manifestantes chegavam, policiais femininas do 5º Batalhão de Polícia Militar entregavam panfletos em que pediam para que as manifestações transcorressem sem violência. O grupo se dirigiu para o Terminal Central quando já passava das 18 horas, gritando palavras de ordem contra o prefeito Alexandre Kireeff (PSD).
Eles bloquearam a saída pela Leste-Oeste e a entrada pela Rua Benjamin Constant, o que forçou a CMTU e a equipe de segurança privada do local a suspender a chegada dos ônibus justamente num horário em que os usuários estavam querendo ir para casa. Sem saber como proceder, vários passageiros procuravam informações para saber como e onde deveriam pegar seus ônibus. As linhas foram direcionadas para as proximidades do Cismepar e da Maternidade Municipal, para onde os usuários tiveram que se deslocar a pé. O consolo foi que naquela altura, por conta da manifestação, a cobrança da tarifa estava suspensa.
A diarista Castorina de Oliveira, de 57 anos, era uma das que estavam no andar de baixo do terminal quando os manifestantes apareceram. "Se for de forma pacífica, acho ótimo o protesto. Eu mesma sou uma que queria o passe livre. Na minha casa são quatro que usam ônibus todo dia para trabalhar e estudar", afirmou. Já no andar de cima, a atendente Marcia Loureano não via muita razão para as manifestações. "Tem que deixar do jeito que está, até porque o petróleo está subindo, a gasolina está subindo", disse.

Avaliação
Por volta das 18h45 os manifestantes retornaram à Praça Rocha Pombo, onde antes de se dispersarem avaliaram o protesto. "Acreditamos que um ato como esse é a principal maneira de pressionar o governo e as empresas a cederem à reivindicação popular, que é a revogação do aumento da tarifa. Nossa obrigação é fazer um ato coeso, eficiente, no sentido de mostrar a indignação popular", afirmou um dos líderes do Movimento Passe Livre, o jornalista Murilo Pajolla, de 23 anos.
Para o porta-voz da Polícia Militar, capitão Nelson Villa, a manifestação de ontem, "tendo em vista que não houve incidentes, danos à integridade física, ao patrimônio público, teve o verdadeiro espírito democrático". A PM reforçou a segurança nos arredores da praça, mas não interveio na mobilização. Para o Movimento, de 100 a 150 pessoas participaram do ato público, número que a PM estimou entre 50 e 60.

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