Agência Estado
De Belém
O prédio da Secretaria de Defesa Social do Pará foi invadido e depredado ontem durante manifestação contra a impunidade e lembrando a morte de 19 sem-terra, mortos por policiais militares há quatro anos, em Eldorado dos Carajás, no sul do Pará. O protesto foi promovido pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra e outros movimentos, nas ruas de Belém.
Em Curitiba a data foi marcada por vigília (ver texto ao lado). Em Salvador, o escritório regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) foi ocupado ontem por 400 trabalhadores ligados ao MST. Em Ribeirão Preto (SP), cerca de cem sem-terra ocuparam ontem pela manhã a Fazenda Santa Clara. A propriedade foi arrendada pela Usina Nova União, de Serrana. Segundo a delegada de Serra Azul, Lúcia Bocardo Batista Pinto, o líder do movimento informou que mais trabalhadores sem-terra chegariam até a noite, vindos de várias regiões do Estado.
Durante a manifestação no Pará, um pelotão de 150 homens da Polícia Militar chegou ao local atirando para o alto, dispersando os invasores. Vinte pessoas ficaram feridas, cinco manifestantes foram presos e sete veículos de funcionários e policiais, depredados. Uma viatura da PM foi virada e ficou atravessada na rua em frente do prédio. O policial Roberto Joacir Garcia Fábio teve o braço quebrado ao defender-se de uma paulada dada por um manifestante.
Um repórter e um cinegrafista da TV Liberal foram agredidos quando documentavam o quebra-quebra. Eles foram pisoteados e espancados. O equipamento da emissora foi quebrado.
As vidraças do prédio foram quebradas a pedradas. Computadores e telefones, segundo a assessoria da Secretaria de Defesa Social, também foram destruídos pelos invasores. Os funcionários se refugiaram em gabinetes e banheiros no momento da invasão. Os prejuízos ainda estão sendo avaliados.
Na Praça Felipe Patroni, cerca de 500 homens da PM cercaram o prédio do Tribunal de Justiça para protegê-lo de uma invasão. As audiências foram suspensas. Manifestantes gritavam palavras de ordem contra os militares que protegiam o prédio do TJ, chamando-os de assassinos.
O secretário de Defesa Social, Paulo Sette Câmara, responsabilizou pelo ataque um grupo de militantes petistas conhecido por Brigada Cabana, que estariam ‘‘infiltrados’’ entre os sem-terra, participando de uma outra passeata cujo destino final era engrossar a manifestação em frente ao prédio da Justiça. ‘‘Foi um ataque praticado por desordeiros profissionais’’, afirmou Câmara, enfatizando que esse grupo estaria a serviço da prefeitura de Belém.
O MST negou qualquer responsabilidade pela depredação da Secretaria de Defesa Social. ‘‘Havia uns mil lavradores que vieram de vários assentamentos do sul do Pará, mas estavam na passeata umas três mil pessoas. Não sabemos quem eram. Quando quebraram o prédio não havia ninguém do MST lᒒ, afirmou um dos líderes do MST, Jorge Nery.
Nery acusou a PM de ter agido com ‘‘muita violência, reprimindo o ato público’’, mas condenou o ataque à Secretaria de Defesa Social.

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