Protesto na sessão de municipalização do ensino de Araraquara
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segunda-feira, 15 de março de 1999
Por José Angelo Santilli 
Araraquara, SP, 16 (AE) - A votação do projeto de lei que autoriza a municipalização do ensino em Araraquara, em tumultuada sessão ontem (15) à noite na Câmara, terminou com a prisão de sete pessoas. Foram detidos pela polícia militar, por desobediência, quatro estudantes secundaristas, um professor, o diretor estadual da Apeoesp, Ariovaldo de Camargo e o vereador Edson da Silva (PT). O projeto, de autoria do Executivo, acabou sendo aprovado por 16 dos 21 vereadores.
Cerca de 50 pessoas estavam protestando contra o projeto no plenário e a polícia foi acionada pelo presidente da Câmara, José Alberto Gonçalves (PSDB), que expediu ordem por escrito para a retirada dos manifestantes do local. "O regimento interno não permite manifestações", justifica Gonçalves, que já havia advertido os manifestantes sobre a proibição.
Com a resistência de alguns manifestantes, a polícia foi enérgica ao esvaziar o plenário, mas ninguém se machucou. "A situação foi criada por intransigência do presidente da Câmara"
acusa o vereador Edson da Silva, detido em flagrante dentro da Câmara. "Foi uma cena lamentável de autoritarismo", declarou Silva.
Na opinião de Ariovaldo de Camargo, diretor estadual do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), a proibição às manifestações na Câmara é antidemocrática. "Esse regimento precisa ser reformulado; deve ser época da ditadura", declara Camargo.
A Apeoesp é contra a municipalização por temer prejuízos à educação. "Com a municipalização, haverá uma fragmentação educacional e curricular em São Paulo. Não há garantia de um piso salarial unificado e, por razões de economia, poderá ocorrer superlotação de salas de aula e diminuição da oferta de vagas na educação infantil, em decorrência das crescentes necessidades de investimentos no ensino fundamental", declara Camargo.


