Protesto na Boca Maldita
Valmir Denardin
De Curitiba
Representantes das principais entidades de defesa dos direitos dos negros no Paraná fizeram ontem, na Boca Maldita, centro de Curitiba, uma manifestação contrária às comemorações oficiais pelos 500 Anos do Descobrimento do Brasil. A principal argumentação é de que, apesar representar 23% da população quase 2 milhões dos 8 milhões de habitantes , os negros têm pouca participação na economia, política e cultura do Estado.
O protesto foi realizado entre as 10 e as 17 horas e reuniu cerca de 3 mil pessoas. Discursos foram intercalados por apresentações de dança e música. Os 500 Danos do Descobrimento foi o eslogam da manifestação, na qual foi divulgado o Manifesto do Movimento Negro do Paraná, elaborado durante encontro estadual, em janeiro.
Segundo o gerente gráfico Jaime Tadeu da Silva, presidente da Associação Cultural de Negritude e Ação Popular, de Curitiba, e um dos organizadores do protesto, os negros paranaenses exigem que os currículos escolares sejam mudados, com a inclusão nos livros didáticos de capítulos sobre as histórias do líder negro Zumbi dos Palmares e da capoeira, por exemplo.
Durante o protesto, os negros pediram o fim da violência étnica, condenaram o salário mínimo de R$ 151,00 e defenderam a suspensão do pagamento da dívida externa.





