Rosiane Correia de Freitas
Equipe da Folha
  Curitiba- Familiares e amigos de Karla D’Arcanchy Antmann, que foi morta pelo ex-marido na última sexta-feira (21), se uniram ontem a militantes do movimento feminista e parentes de outras vítimas da violência contra a mulher para pedir justiça. Karla havia se separado do marido, Samuel Nísio, quinze dias antes de ser atacada por ele na entrada do prédio em que morava, no bairro Batel. ‘‘Foi tudo premeditado’’, afirmou Ivo Antmann, pai da vítima, durante a manifestação.
  Segundo Antmann, Nísio surpreendeu a ex-mulher na entrada no prédio quando ela chegava de um jantar com amigos. ‘‘Ele já estava proibido de entrar no prédio’’, contou. Já no hall de entrada, Samuel teria tentado persuadir Karla a deixá-lo subir até o apartamento. Quando ela se recusou, aconteceu o ataque. ‘‘O porteiro usou um extintor de incêndio para impedir a agressão, mas não conseguiu evitar as facadas’’, declarou.
  Para Marlei Fernandes, do Sindicato dos Trabalhadores da Educação, uma das entidades que organizaram a manifestação, casos como esse mostram a que ponto a agressão contra a mulher pode chegar. ‘‘Quando acontecem as pequenas agressões, violência psicológica, moral isso é tratado com naturalidade’’, alertou. ‘‘Mas infelizmente alguns casos têm um desfecho trágico. Por isso é importante que as pessoas denunciem as agressões mesmo que não sejam tão graves. Temos que deixar de agir como se isso fosse natural’’, declarou.
  O assassinato de Karla surpreendeu amigos do casal. ‘‘Ela nunca reclamou do compor-tamento’’, afirmou uma amiga que não quis se identificar. Desde a separação, Nísio estaria seguindo a ex-mulher. ‘‘Ele aparecia nos locais em que ela estava, ligava o tempo todo. Eles estavam casados há dez anos, é difícil imaginar que algo assim poderia acontecer’’, disse. Nísio se entregou no dia do crime e está preso no Centro de Triagem de Piraquara.
  Durante a manifestação, as meninas Rachel Genofre e Lavínia Rabeche da Rosa, de 9 anos, mortas após sofrerem violência sexual, também foram lembradas.

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