Protesto lembra acidente na Repar
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domingo, 15 de julho de 2001
Maigue Gueths De Curitiba 
No dia 16 de julho de 2000, há exatamente um ano, quatro milhões de litros de óleo vazaram de um duto rompido na Refinaria Getúlio Vargas da Petrobras, na Região Metropolitana de Curitiba, escorrendo em direção aos rios Barigui e Iguaçu. Tratava-se de um dos maiores desastres ambientais ocorridos no Estado. Um ano depois, as causas, consequências, assim como a punição dos responsáveis pelo acidente continuam sem respostas ou soluções.
Para protestar contra o descaso e lembrar à sociedade sobre a necessidade de se cobrar ações efetivas de prevenção a acidentes deste tipo, ONGs ambientalistas, sindicatos e entidades representativas de setores da sociedade civil realizam uma manifestação, hoje ao meio-dia na Boca Maldita. Com bom humor, teatro e música composta especialmente para a comemoração, os manifestantes vão fazer a abertura simbólica de um poço de petróleo em pleno Centro de Curitiba. A intenção é mostrar à população que os problemas ecológicos estão mais perto do que ela pensa, diz Mauro Zanatta, um dos atores responsáveis pela criação do evento.
Às 14h30, a Comissão Mista formada pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Paraná (Crea/PR), criada um mês após o vazamento com o intuito de levantar as causas e consequências do acidente, divulga o relatório destes 11 meses de trabalho no plenarinho da Assembléia Legislativa. Na ocasião, o documento também será entregue ao promotor de Justiça Ralph Luiz Vidal Sabrino dos Santos do Ministério Público do Meio Ambiente, solicitando que sejam tomadas as providências legais.
Uma das dificuldades encontradas para fechar o relatório, de acordo com o assessor da Comissão, Esmael Moraes, foi a inexistência de um registro sobre os acidentes ambientais anteriores ocorridos no Brasil e no mundo. Por isso, ele acredita que o atual documento possa, inclusive, servir de parâmetro para situações futuras.
Entre as conclusões, o relatório nega que o acidente tenha ocorrido em função de um problema pontual, mas sim como consequência de uma série de falhas de gestão da Petrobras. A empresa tentou simplificar a análise do acidente, falando de falhas humanas e técnicas, quando na verdade o vazamento foi causado por causa de uma série de fatores, diz Roni Anderson Barbosa, diretor do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro).
Entre as causas, ele aponta a falta de manutenção dos equipamentos, instalações antigas, redução de pessoal e terceirização dos serviços, o que leva a uma falta de memória técnica do quadro de funcionários. Desde 1990, os empregados foram reduzidos de 1,2 mil para 534. Mesmo após o acidente, segundo ele, houve um corte de mais 10% dos empregados.


