Protesto lembra 1 ano de desocupação
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terça-feira, 28 de novembro de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), sindicalistas e políticos realizaram ontem à tarde um ato público para lembrar a desocupação da praça Nossa Senhora de Salete, no Centro Cívico, em Curitiba. No dia 27 de novembro de 1999, cerca de mil policiais militares cercaram a praça e retiraram os 700 sem-terra acampados no local há 172 dias.
O secretário-executivo da Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Paraná, Jelson Oliveira, disse que desde a operação, os agricultores são vítimas de várias formas de violência, tanto por parte dos órgãos de segurança pública, quanto de jagunços contratados por fazendeiros. O processo de reforma agrária está emperrado. Quando o governo fez o despejo, ele fechou todas as portas de negociação, disse.
Para simbolizar o protesto, os manifestantes penduraram 322 fitas pretas na cerca erguida em volta da praça após o despejo. Segundo a CPT, elas representam o número de feridos em conflitos agrários desde o início da gestão do governador Jaime Lerner (PFL), em 1995. Também foram lembrados em pedaços de lona preta fixados nas grades os nomes de 16 sem-terra mortos na gestão Lerner.
A agricultora Adelina Ventura Nunes, 36 anos, era uma das 100 pessoas que participaram do ato. Mulher de Sebastião de Maia, morto por seguranças da fazenda Água da Prata, em Querência do Norte, há sete dias, Adelina declarou estar preocupada com a perseguição ao movimento. As mortes estão mais frequentes e o incrível que é sempre alguém da liderança. Tudo está sendo premeditado, disse Adelina, lembrando ainda da morte do militante Antônio Tavares Pereira, em Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba, durante confronto com a PM em junho, na BR-277.
Adelina, que trouxe para a manifestação a filha Daiane, de 11 anos, e o filho Jean, 4 anos, reclamou que seu marido, por ser uma liderança do MST, era visado por policiais e pistoleiros. Ela relatou que veio a Curitiba no ano passado para denunciar a perseguição às autoridades, mas ninguém a ouviu. Agora estou aqui denunciando a morte do Tião. Uma comissão do MST esteve no final da tarde com o procurador-geral de Justiça, Marco Antônio Teixeira, para pedir punição aos responsáveis pela morte de Maia. Hoje, Adelina vai relatar o episódio em Brasília ao ministro da Justiça, José Gregori.
O governo do Estado também vai mandar um grupo de secretários para falar hoje com Gregori e o ministro da Política Fundiária, Raul Jungmann. Pretextato Taborda (Justiça) e Rafael Greca (Comunicação Social), além do ouvidor para assuntos agrários Antônio Carlos Coelho, formam a comitiva.


