Cerca de 75 pessoas deixaram de ser atendidas por peritos médicos da Previdência Social ontem em Londrina. Os seis médicos que atendem na agência do Jardim Shangri-lá (Zona Oeste) aderiram à paralisação nacional da categoria, que pleiteia melhores condições de segurança no trabalho.
Por falha na comunicação, a agência da Rua Professor João Cândido manteve o atendimento na manhã de ontem, mas as perícias marcadas para hoje não devem ser realizadas. Os segurados estão sendo orientados a retornar na próxima semana.
Em Curitiba, as perícias foram realizadas normalmente, e os médicos decidiriam sobre a adesão ou não ao movimento em assembléia à noite. Segundo a Associação Nacional dos Médicos Peritos (ANMP), aproximadamente 90% da categoria aderiu ao movimento ontem.
De acordo com a assessoria de imprensa do INSS, 200 peritos atendem às cinco regionais do estado: 34 em Ponta Grossa; 32 em Londrina; 43 em Cascavel; 62 em Curitiba; e 29 em Maringá.
Desse total, seis médicos lotados em Ponta Grossa e 13 da regional de Londrina aderiram ao movimento, cuja principal reclamação são agressões que recebem dos segurados instisfeitos em relação aos laudos para concessão de benefícios.
Os cerca de 4.800 profissionais de todo o país querem, entre outros, que seja encontrada uma outra forma de se entregar os resultados, em especial os negativos, da perícia médica. Eles alegam que o número de agressões provenientes de segurados insatisfeitos com os resultados dos exames aumentou muito nos últimos meses.
''Tivemos um caso em Bandeirantes, em que o médico precisou se defender de golpes de faca com uma cadeira, e outro em Apucarana, em que o segurado, tentando atingir o profissional, chegou a danificar a divisória do consultório'', exemplificou o perito Luiz Fernando Gimenez, delegado da ANMP em Londrina.
De acordo com Gimenez, recentemente a categoria conquistou o direito de não assinar o próprio nome no resultado da perícia, constando no documento o nome do presidente do INSS.
A paralisação estava prevista para durar até hoje, mas, para Gimenez, o assassinato da delegada de Governador Valadares (MG), Maria Cristina Souza Felipe da Silva, 56 anos, ocorrido ontem pode estender o movimento por tempo indeterminado. Maria Cristina foi morta com quatro tiros em frente a sua casa. ''Esse caso é o que nós temíamos que acontecesse. Se continuar assim, ninguém mais vai querer ser perito'', alertou.
A prioridade da pauta de reivindicações da categoria é a segurança no trabalho. Caso as exigências não sejam atendidas até o dia 20, os peritos podem estender a paralisação por tempo indeterminado.

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