Londrina - A pressão feita ontem por estudantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) durante a reunião semanal do Conselho de Administração (CA) teve resultados positivos para toda comunidade interessada. Após a invasão da sala onde os representantes estavam reunidos, o reitor Wilmar Marçal propôs e os conselheiros aprovaram a realização de uma audiência pública no dia 27 deste mês para discutir o plano de segurança do campus que tem entre os pontos mais polêmicos o cercamento e a presença ostensiva da Polícia Militar. Enquanto não se chega a um consenso, crimes continuam sendo praticados: ao meio-dia de ontem um carro foi furtado no estacionamento do Centro de Ciências Biológicas (CCB).
Sem mudanças, o plano de segurança foi orçado em cerca de R$ 2,5 milhões. A maior parte (R$ 1,8 milhão) seria consumida na construção e colocação dos pilaretes de cimento em cerca de 2,5 mil metros de área na face oeste do campus - apontada como ponto mais crítico. O idealizador do plano, o professor e chefe da Divisão de Segurança na UEL, Pedro Marcondes, estimou que o custo da cerca cairia pela metade se fosse fabricada na universidade.
De acordo com Marcondes, a reunião de ontem do CA serviria apenas para ''afunilar as discussões sobre o plano, analisar a repercussão econômica, a exequibilidade e outras prioridades''. Mas a manifestação dos estudantes, segundo ele, antecipou a idéia do próprio reitor de realizar uma audiência para que a discussão fosse ampliada para toda a comunidade acadêmica. ''Um grupo de alunos foi até o Conselho cobrar do reitor que fosse suspensa a discussão até que o plano fosse discutido com toda a comunidade universitária. O reitor concordou e designou a data. Esperamos agora que a comunidade efetivamente participe e apresente propostas alternativas'', comentou.
O plano construído por Marcondes gerou críticas principalmente por causa do cercamento e da previsão de que a Polícia Militar possa fazer rondas no campus. ''Hoje, a UEL conta com vigias desarmados e a realidade da criminalidade é outra. São mais de 20 mil pessoas transitando todo dia, tem uma rodovia importante cujo contorno passa dentro do campus e a universidade está vulnerável'', justificou o chefe da segurança.
Conforme consta no plano, entre 1º de janeiro de 2006 e julho de 2006, foram registrados oito furtos de veículos, um furto de moto, 26 furtos de acessórios que estavam no interior dos carros, 5 furtos tentados contra autos, além de agressões e tráfico e consumo de drogas. A universidade, que tem área de 235 hectares, dispõe de 141 vigias e 140 câmeras de segurança.
Na reunião do CA também foi retomada a discussão sobre a necessidade ou não de registro em cartão ponto das entradas e saídas dos profissionais da área da saúde da UEL com nível superior, que ocupam cargos comissionados ou com função gratificada. Na semana passada, o CA havia determinado que estes profissionais - 19% do total de servidores - teriam que bater cartão como os demais a partir desta semana. Ontem, o vice-reitor César Caggiano dos Santos, explicou que a decisão foi adiada para o próximo encontro dos conselheiros, no dia 11.

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