A cidade de Arapongas reviveu ontem a morte trágica da jovem Marisol Lopes Machado. Há exatos sete anos, ela foi assassinada com uma facada no pescoço e outra nas costas, aos 26 anos. Estava grávida de oito meses de sua primeira filha. Os acusados do crime – o marido e seu irmão gêmeo – ficaram presos durante três anos mas foram liberados há quatro. E este foi o principal motivo que levou centenas de pessoas às ruas da cidade. Cansados de esperar que o acusados sejam julgados, familiares e amigos da jovem protestaram e pediram justiça.
  ‘‘Já são quatro anos de espera sem que nada aconteça. Não há mais recurso possível. Estamos aqui em busca de nossa dignidade’’, disse a irmã de Marisol, Ana Paula Lopes Machado. Foi ela quem encontrou o corpo da jovem, quando estava acompanhada do cunhado. ‘‘Um dia que nunca mais vou me esquecer. Ela estava caída no chão de barriga para baixo’’, lembra a enfermeira, que ainda tentou realizar o parto da irmã com a esperança de salvar o bebê.
  De acordo com Ana Paula, até então não havia nenhuma suspeita contra o cunhado, o que só viria a acontecer alguns dias depois do crime. ‘‘Descobrimos um seguro de vida no nome dela aqui no Brasil no valor de R$ 300 mil. Como se não bastasse, descobrimos também mais outros dois seguros em Portugal, onde ela morava com o marido até então. Tudo somado chegava a mais de R$ 700 mil reais. O mais intrigante é que nenhum cobria por morte natural, mas por acidental e assassianto, sim’’, conta.
  As investigações na época levaram a Polícia a acreditar que o irmão do marido havia matado Marisol. O crime teria sido todo planejamento pelo próprio esposo já em Portugal, que não teria tido êxito no homicídio no país europeu. O irmão chegou a ficar foragido durante oito meses. Ambos ficaram presos provisoriamente durante três anos mas foram postos em liberdade. Os dois trabalham como caminhoneiros e, por isso, viajam constantemente. O endereço de residência, porém, ainda consta como na cidade de Arapongas.
  ‘‘A única coisa que pedimos é que eles paguem pelo que cometeram. Esse júri precisa ser marcado para que voltemos a acreditar na justiça dos homens. Hoje, eles têm uma vida normal e a gente não’’, desabafou a irmã. A mãe de Marisol, Lairce, não conteve as lágrimas ao lembrar da filha. ‘‘Quando ela morreu, parte de nós morreu junto com ela. Estávamos esperando a chegada de uma vida e perdemos duas. Quando olho as crianças, imagino como estaria minha netinha Lavínia’’, contou. Segundo informações repassadas à família pela Promotoria, o caso está ‘‘parado’’ em Brasília e não cabe mais recurso aos irmãos.

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