Teerã, 13 (AE-AP) - Apesar da proibição oficial de realizar qualquer manifestação, os protestos estudantis contra o aiatolá Ali Khamenei e outros linhas-duras do regime iraniano espalharam-se nesta terça-feira (13) por Teerã e transformaram-se em batalhas campais com policiais e vigilantes, o que levou o presidente moderado, Mohammad Khatami, a criticar duramente o movimento, advertindo que os distúrbios ameaçam suas reformas e a segurança nacional.
Só no fim da tarde é que a polícia, apoiada por militantes do grupo radical Ansar-e Hezbollah e pela força paramilitar de voluntários Basiji, conseguiu controlar a situação na maior parte da capital.
De armas em punho, jubilantes membros do Ansar e da Basiji passaram a patrulhar as ruas e a gritar slogans em homenagem ao aiatolá Khamenei, o líder máximo do país. "Doamos ao líder o sangue que corre em nossas veias", repetiam.
No entanto, teme-se que os piores protestos desde a Revolução Islâmica de 1979 prossigam, já que foram convocadas para amanhã três manifestações distintas em Teerã: uma dos estudantes, uma de moderados pró-Khatami e outra de radicais pró-Khamenei.
O sexto dia de protestos começou com uma manifestação de 10.000 estudantes diante da Universidade de Teerã, no centro da capital. "Não queremos um governo de força nem uma polícia mercenária", gritava a multidão. De helicópteros com alto-falantes, a polícia ordenou, em vão, que a multidão se dispersasse. Momentos depois, uma caravana de carros de luxo desceu a Avenida Vali Asr.
Policiais em roupas civis desceram dos veículos e dispararam algumas rajadas de metralhadora para o ar para dispersar a multidão. Em seguida, recorreram às bombas de gás lacrimogêneo e cassetetes, apoiados pelos vigilantes. Vários jovens foram detidos e levados em caminhões.
Os estudantes, muitos com o rosto coberto, correram então para ruas próximas, como a Avenida Enqelab, queimando ônibus vazios e depredando lojas. "O Irã virou um tipo de Palestina, então por que só ficar parado?", afirmou um dos manifestantes. "Morte ao déspota, morte ao ditador!", gritaram outros, referindo-se a Khamenei. Também foram ouvidos gritos de "unidade, unidade" e slogans contra o Ansar.
Três jornalistas iranianos - dois a serviço de uma televisão alemã e outro, de uma agência estrangeira - tiveram seu carro depredado e foram agredidos pelos manifestantes, que pensaram que o trio trabalhasse para a TV estatal, controlada pela linha-dura.
Também houve distúrbios no bairro do Bazar, no sul de Teerã, cujas lojas tiveram de ser fechadas. Manifestantes fizeram barricadas com pneus em chamas para tentar dissipar as nuvens de gás lacrimogêneo da polícia, incendiaram um ônibus e um banco estatal e quebraram as janelas de outro banco. Uma mesquita próxima também foi depredada.
A mídia iraniana passou o dia divulgando apelos por calma e declarações de Khamenei culpando "inimigos" externos - possível referência aos Estados Unidos - pelos distúrbios. O próprio Khatami apareceu na TV para condenar os protestos. "Essas ações são contra os interesses de nossa nação, nosso sistema e os programas do governo", afirmou, assinalando que aquilo que começara como um pacífico protesto estudantil degenerou para uma violenta ameaça à segurança do país.
"Alguns dos que têm sido presos não têm nada a ver com estudantes e universitários. Tenho certeza de que essas pessoas não são estudantes e têm objetivos malignos. Elas pretendem fomentar a violência na sociedade e devemos ficar em seu caminho. Levamos a segurança de nosso país e de nossos cidadãos muito a sério."
Os protestos começaram quinta-feira na Universidade de Teerã contra o fechamento de um jornal moderado pró-Khatami. Na noite de quinta para sexta, policiais e vigilantes invadiram os dormitórios universitários, matando pelo menos uma pessoa - talvez cinco, segundo os estudantes.
Dois oficiais de polícia foram afastados por causa do assalto - também condenado por Khamenei -, mas os protestos aumentaram e os manifestantes agora querem a saída de todos os radicais do regime e amplas reformas democráticas.

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