Brasília, 26 (AE) - Galinhas, baldes e vassouras integraram a manifestação feita hoje em frente à sede do Banco Central, em protesto contra a indicação de Armínio Fraga para a presidência da instituição. O ato público "A raposa tomou conta do galinheiro" foi organizada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), estudantes e partidos de esquerda. Reuniu pouco mais de 400 pessoas, para um policiamento com cerca de 170 homens, incluindo a Polícia Florestal.
Os manifestantes se concentraram próximo à catedral e fizeram uma passeata até o Banco Central, carregando galinhas. Depois dos discursos, que lembraram principalmente a condição de dupla cidadania de Armínio Fraga, eles lavaram a entrada do prédio, gritando frases contra o Fundo Monetário Internacional (FMI). Em seguida, foram em passeata protestar em frente à sede do Banco Mundial.
"Em que pese a sabatina - cujo resultado nós conhecemos - viemos manifestar nossa contrariedade com relação à nomeação do Armínio Fraga", disse o presidente da CUT, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho. "Não é nada pessoal, e ninguém está dizendo que ele é desonesto." No entanto, segundo o líder sindical, há uma forte questão ética envolvida na escolha do presidente do BC. Ele lembrou que, na Inglaterra, quando entrou em julgamento a extradição do ex-presidente chileno, Augusto Pinochet, um dos juízes foi afastado por ser ligado à Anistia Internacional.
"Ele (Armínio Fraga) viveu os últimos dias orientando especuladores que queriam destruir nossa moeda, e agora vem para dentro do governo", disse Vicentinho. "Ou seja, é a raposa tomando conta do galinheiro." Ele lembrou, ainda, que o novo presidente do BC está renunciando a um salário de US$ 700 mil anuais (US$ 58,3 mil mensais) para ganhar pouco mais de R$ 10 mil no novo cargo. "Vai ser patriota assim lá em Acari, minha terra", comentou.
Vicentinho anunciou que, no próximo dia 8, começará a Jornada em Defesa do Brasil, uma série de manifestações que procurarão alertar para os problemas do desemprego, da terra e cidadania. No dia 21 de abril, haverá um ato nacional nas grandes capitais e, no dia 30 de abril, véspera do Dia do Trabalho, uma grande manifestação contra o desemprego.

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