Agência Estado
De Fortaleza
Onze pessoas foram presas e pelo menos cinco feridas, na maioria levemente – entre elas um soldado – durante protesto contra as comemorações pelos 500 anos do Descobrimento, ontem pela manhã, na Praia do Náutico, em Fortaleza. A manifestação, que começou pacífica, terminou em quebra-quebra após confronto com a Polícia Militar. No começo da noite, após prestar depoimento e pagar fiança, os detidos foram liberados.
Cerca de cem pessoas participavam do ato distribuindo panfletos aos moradores e passantes. De repente, alguns participantes do protesto atearam fogo e começaram a jogar pedras no relógio comemorativo dos 500 anos do Descobrimento, da TV Globo. A PM foi chamada para evitar a depredação e, aí, teve início uma discussão verbal que logo se transformou em conflito e pancadaria. Alguns estudantes foram presos. Para impedir a saída da viatura policial com os detidos, os manifestantes sentaram no asfalto e fecharam a Avenida Beiramar. Mais confusão e mais gente presa.
O estudante André Luiz Araújo Sabino, que chegou a ser detido, foi ferido na cabeça, teve um dente quebrado e sofreu escoriações. Após ser atendido no Instituto José Frota, foi liberado. Outros manifestantes foram atingidos por cassetetes, ferindo-se de forma leve. O soldado da PM Reginaldo apresentava ferimentos no braço. Dos 11 manifestantes detidos, sete foram liberados de imediato e quatro indiciados por danos, desacato à autoridade e lesões corporais. Pagaram fiança de meio salário mínimo cada um e deixaram o 2º Distrito Policial à noite, depois de prestarem depoimento.
O presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, deputado João Alfredo (PT) solicitou as fitas de vídeo da emissora de televisão local, TV Diario, que gravou todo o confronto. O parlamentar, que não estava presente ao protesto, disse que um pequeno trecho que viu da fita revela que houve excesso policial. Segundo ele, a comissão vai encaminhar uma denúncia neste sentido ao Comando da Polícia Militar do Estado, Secretaria de Segurança Pública e Corregedoria.
João Alfredo, que acompanhou os depoimentos no 2º DP, disse que vai pedir abertura de inquérito para que sejam apuradas as agressões contra os manifestantes.
Entre as entidades que faziam o protesto, que tinha como tema ‘‘500 anos de repressão’’, estavam a União das Comunidades da Grande Fortaleza, Movimento dos Estudantes Revolucionários, Comitê de Solidariedade às Comunidades Zapatistas e Movimento Anarquista.
MST As ocupações feitas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra em Pernambuco (MST-PE) chegaram a 77, com a participação de mais de 10 mil pessoas, segundo balanço divulgado ontem pelo movimento. As invasões, em protesto pelas comemorações dos 500 anos do descobrimento, começaram na segunda-feira, em todo o Estado.
Ontem, os sem-terra decidiram liberar os quatro funcionários do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), depois de retê-los como reféns na sede do órgão em Salvador por mais de 24 horas. A decisão foi tomada depois que o ministro Raul Jungmann, do Desenvolvimento Agrário, decidiu receber em audiência sete lideranças do MST em Brasília. Os militantes resolveram permanecer na sede do Incra, esperando o resultado da reunião.Manifestação de estudantes contra comemorações dos 500 anos terminou em confronto com a polícia; 11 foram presos e 5 ficaram feridos
Agência EstadoVIOLÊNCIAEstudantes atiraram pedras no relógio comemorativo dos 500 anos do Descobrimento do Brasil e acabaram presos

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