Protesto dos atingidos por barragens chega à empresa Siemens, em SP
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quarta-feira, 04 de setembro de 2013
Agência Brasil 
A passeata do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) deixou a Marginal Tietê, na capital paulista, por volta das 12h desta quarta-feira (4). O grupo protesta, neste momento, em frente à unidade da empresa Siemens, no bairro da Lapa, zona oeste.
Antes disso, os manifestantes passaram pela unidade da Alston, na Marginal Tietê, onde gritaram palavras de ordem contra a instituição e fizeram pichações nas paredes da empresa e no asfalto.
Organizadores do protesto disseram que o ato tem como objetivo cobrar investigação sobre corrupção envolvendo as duas empresas na formação de cartéis para obras públicas, entre elas de sistemas de metrô.
O agricultor, Evandro Mariano da Silva, veio de Altamira (PA) para a manifestação. Ele vive há 15 anos em uma propriedade rural de 200 hectares, onde planta cacau, milho e arroz. Embora seu terreno esteja distante dos locais que serão inundados para a instalação da Usina de Belo Monte, o agricultor diz sofrer consequências negativas trazidas para toda a cidade. "Os nossos hospitais estão superlotados, os colégios também. A cidade inchou, ninguém consegue mais viver como antigamente".
Silva estima que o número de habitantes no município chegou a triplicar com a chegada dos operários e funcionários envolvidos com Belo Monte. Ele reclama que a estrutura de Altamira não evoluiu.
Outro ponto levantado por ele é o sofrimento das famílias ribeirinhas. "Sinto a dor das pessoas que moram lá onde vai ser alagado, o pessoal ribeirinho, os indígenas, o povo que mora nos lugares mais baixos da cidade, eles não sabem para onde ir", disse.
O apicultor de Carolina (MA), Walter Cruz Moreira, conta que está sendo prejudicado pela Hidrelétrica de Estreito, construída há dois anos, a 100 quilômetros da cidade. Por causa da hidrelétrica, foram derrubados 22 alqueires da área de florada das abelhas, que alcança 115 hectares. Isso afetou a sua produção de mel, que antes era 5 mil litros por ano e caiu para 200 litros ao ano. "Nunca fui ressarcido, alguém tem que tomar uma atitude e nos pagar", reclamou.
Em apoio ao MAB, também participam dos protestos outras organizações, como o Levante Popular da Juventude, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Movimento dos Agricultores e das Mulheres Camponesas. Um alqueire tem 2,42 hectares. Por sua vez, 1 hectare corresponde a 10 mil metros quadrados, o equivalente a um campo de futebol oficial.


