Teodoro Sampaio - Cerca de 200 integrantes do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) bloquearam ontem pela manhã a Rodovia Arlindo Bétio (SP-613), no município de Euclides da Cunha, no Pontal do Paranapanema, extremo oeste de São Paulo. O protesto foi contra o programa de erradicação do cancro cítrico do governo do Estado. A rodovia é a principal ligação, na região, entre os Estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul.
Os sem-terra aproveitaram para protestar, também, contra a prisão do líder do Assentamento Chico Mendes, Laílton Reis Cardoso, preso em flagrante, anteontem, matando o gado de uma fazenda. Eles ergueram uma barricada com pés de laranja cortados e atearam fogo a pneus velhos, na altura do quilômetro 48. Sobre a barreira, foi içada uma bandeira do MST.
Segundo o líder Walter Gomes, a Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento está cortando os pomares de citros dos assentamentos da região sem dar garantia de replantio ou indenização. ‘‘Estamos pedindo há um ano que nos sejam fornecidas mudas de outras frutas para substituir as plantas cortadas.’’
Os focos de cancro cítrico estão sendo erradicados para não prejudicar as exportações de suco de laranja produzido em São Paulo.
O fechamento da rodovia provocou o protesto dos usuários. O assentado Antonio de Souza tentou furar o cerco com uma carga de melancias, mas foi barrado. Os manifestantes ameaçaram ficar com as frutas. Ele reagiu enfurecido: ‘‘Tirar o que é meu só me matando’’. Em seguida, deu marcha à ré e voltou para casa.
Policiais militares de Rosana e Euclides da Cunha chegaram uma hora depois do início da manifestação. O sargento José Wanderley da Silva pediu a liberação da estrada. Gomes disse que liberaria a passagem dos veículos parados e fecharia em seguida. Segundo ele, o fim do protesto estava condicionado a uma posição da Secretaria da Agricultura. ‘‘Queremos que os cortes parem imediatamente.’’
O prefeito de Rosana, Álvaro Augusto Rodrigues (PSDB), esteve no local e intermediou as negociações do MST com o secretário José Carlos de Souza Meirelles. O governo e os sem-terra chegaram a um acordo. O secretário prometeu suspender temporariamente os cortes e enviar um emissário para negociar com os assentados. Às 11h30, o bloqueio foi suspenso.

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