Protesto de ruralistas deve se esvaziar no fim de semana
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quarta-feira, 18 de agosto de 1999
Por Cláudia Dianni 
Brasília, 19 (AE) - O protesto dos ruralistas deve esvaziar-se no fim de semana, mas os produtores rurais garantem que novos agricultores vão chegar na segunda-feira. Alguns sindicatos montaram um esquema de revezamento para manter a Esplanada cheia até quarta-feira, quando deverá ser votado o projeto da Comissão de Agricultura, segundo anunciou o presidente da Câmara, Michel Temer. "Vamos nos organizar para juntar cerca de 20 mil pessoas na quarta-feira", avisa um dos coordenadores do protesto, Wilmar Luís da Silva, do Sindicato dos Produtores Rurais do Distrito Federal. Segundo ele, 80 ônibus vão chegar na segunda-feira, trazendo ruralistas de vários municípios.
A agenda de protestos dos ruralistas deverá alcançar a data marcada para a chegada da marcha do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), que chega a Brasília também na quarta-feira, com uma extensa pauta de reivindicações. "Vamos recebê-los e oferecer-lhes um café", promete Wilmar. "Grande parte dos sem-terra são filhos de produtores rurais que quebraram." "A estratégia do governo é adiar a votação até esvaziar o movimento, mas não vamos sair daqui", garante Wilmar. Ele afirma que muitos ônibus partiram porque foram contratados até hoje, mas garante que vão voltar com outros produtores, para não prejudicar as atividades no campo. Ele também conta com a chegada, no domingo, de 100 máquinas (tratores e colheitadeiras), que, afirma, virão de Goiás e do Mato Grosso.
Os alimentos distribuídos entre os ruralistas que, garantem, será dividido com os sem-terra, foram doados pelas federações, sindicatos e algumas cooperativas dos Estados de São Paulo, Mato Grosso, Goiás, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, segundo Wilmar. Muitos ruralistas improvisaram acampamentos nos compartimentos de carga dos caminhões.
Outros estão hospedados em hotéis ou pensões. "Fornecemos uma lista com os hotéis e pensões mais baratos, cuja diária custa de R$ 8 a R$ 10 ", afirma Wilmar. "Aqueles que estão em hotéis de luxo não são os que defendemos aqui." "Tem muito malandro no meio", afirma Cristiano Ottoni, produtor de grãos e criador de suínos do Distrito Federal. "É gente que não mora nas fazendas e se diz ruralista só para ter acesso fácil ao crédito", denuncia. "Esses foram criados pelo próprio governo".
O presidente do Sindicato Rural de Pejuçara, Antoninho Waldermar Oberto, volta para o Rio Grande do Sul hoje. "O ônibus que contratamos tem de voltar, mas na segunda-feira chega outro com mais 46 pessoas", afirma. Os três caminhões, onde em um deles Oberto passsou todas as noites desde segunda-feira, vão continuar em Brasília. "Os caminhões fazem falta no campo, mas o que vamos fazer", lamenta. Segundo ele, há cerca de 200 caminhões do Rio Grande do Sul em Brasília. O mineiro Mário Marcovig chegou a Brasília na segunda-feira e promete ficar até que os agricultores consigam negociar uma solução para o endividamento do setor.


