Protesto de professores libera praça de pedágio
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de agosto de 1998
Marccio W. Varella 
Cerca de 200 professores, funcionários e alunos de escolas públicas do Paraná realizaram ontem protesto de uma hora de duração na praça de pedágio de Mandaguari (30 km a leste de Maringá), na BR-376. A passagem de veículos pelo pedágio foi liberada pelos manifestantes.
Segundo funcionários da Viapar, cerca de 800 veículos passaram pelas duas laterais da praça de pedágio sem pagar a taxa. O prejuízo da Viapar, empresa concessionária do Lote 2 do Anel de Integração, foi de, no mínimo, R$ 880,00. O protesto provocou engarrafamento que chegou a um quilômetro no sentido Maringá-Mandaguari.
A manifestação foi organizada pelo Sindicato dos Professores - APP, com apoio de outros sindicatos da categoria. Treze núcleos da APP das regiões norte e noroeste do estado participaram do protesto. Cada núcleo abrange média de 15 cidades. Só o núcleo de Maringá tem 21 cidades, segundo o presidente regional da entidade, professor João da Silva Alves.
O objetivo do protesto, segundo a professora Marlei Fernandes de Carvalho, foi o de rememorar os dez anos do massacre de 30 de agosto de 1988 do governo Álvaro Dias. Faixas e cartazes pediam melhoria da qualidade de ensino, reajuste salarial, a aprovação do Plano de Cargos e Salários da categoria enviado à Assembléia e o fim do pedágio. O dinheiro desses motoristas que passaram sem pagar pelo pedágio com certeza não irá parar em campanhas políticas, disse Silva Alves.
Os manifestantes chegaram à praça de pedágio às 10h20 e imediatamente colocaram faixas e cartazes na frente das cabines de cobrança, impedindo a passagem de veículos. Os professores retiraram cones e anteparos de plástico das duas laterais da pista para a passagem dos veículos. Funcionários da Viapar recolocaram os equipamentos no lugar e atravessaram um caminhão da empresa na pista. Como o engarrafamento já chegava a mais de um quilômetro e o clima estava se tornando tenso, a Viapar liberou a pista.
Quatro soldados e duas viaturas da Polícia Rodoviária apenas observaram o movimento. Segundo eles, não houve qualquer orientação especial do comando para reprimir os manifestantes. Funcionários da Viapar e diretores da APP, após rápida negociação, concordaram que o pedágio ficaria fechado pelo prazo de uma hora. Aos motoristas, os manifestantes distribuíram panfletos.
Durante todo o tempo de duração do protesto os professores promoveram um apitaço, enquanto um sindicalista, com veículo de som do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino de Maringá (Sinteemar), gritava palavras de ordem ao microfone.
Um funcionário de escola pública de Cambé, conhecido apenas por Antônio, teve partes de três dedos de sua mão direita arrancadas por explosão de foguete. Antônio já havia soltado cerca de 90 foguetes 14x1 da marca Fogos Globo, quando um deles estourou em sua mão. Ele correu em direção à ambulância da Viapar, onde foi imediatamente atendido por médico e enfermeiro. Após o curativo, foi levado às pressas para o Hospital Metropolitano de Sarandi. No hospital, funcionários se recusaram a atender a imprensa.
A caixa de foguetes traz inscrita uma frase que diz Fogos Globo, que só estoura no ar. A data de fabricação dos fogos é de janeiro de 97 e a validade, de cinco anos.


