Um protesto de perueiros realizado, ontem, em Belo Horizonte deixou o centro da capital mineira praticamente ilhado durante toda a manhã e acabou em confronto entre manifestantes e policiais militares. Pelo menos 30 pessoas, entre elas uma criança de 10 anos, ficaram feridas e 68 foram presas.
O protesto começou por volta das 5 horas, quando trabalhadores do transporte clandestino estacionaram cerca de 200 peruas no entorno da praça Sete, no coração da capital mineira, e ao longo da avenida Afonso Pena, a principal da cidade, paralisando o trânsito.
Eles exigiam liberação para poderem trabalhar, já que a Prefeitura de Belo Horizonte conseguiu liminar no final do mês passado proibindo o transporte clandestino na cidade.
A Polícia Militar cercou a área, aconselhou os comerciantes a baixarem as portas e bloqueou os principais acessos ao centro.
Os perueiros chegaram a espalhar combustível pelo chão da avenida e a ameaçar pôr fogo nas peruas. Por volta das 12 horas, pessoas que estavam entre os manifestantes usaram coquetéis molotov e um botijão de gás para incendiar um vagão da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) que fica estacionado na praça ocupada.
A PM iniciou então a desocupação. Foram utilizados bombas de efeito moral, jatos d’água e balas de borracha. Os manifestantes responderam com pedras e coquetéis molotov, mas correram diante do avanço dos policiais.
O hospital de pronto-socorro João 23, o principal da cidade, informou que atendeu 30 pessoas que ficaram feridas durante a confusão. Segundo o hospital, 20 dos feridos não tinham relação com a manifestação, mas foram feridas durante o tumulto. Nove seriam perueiros e apenas um policial militar ficou ferido.
Após a tomada da praça, a polícia cercou o local e rebocou todos os veículos (cerca de 70) para o pátio da BHTrans (empresa municipal que gerencia o trânsito na cidade). Diante da ação da polícia na praça, os perueiros que bloqueavam pontos da avenida Afonso Pena abandonaram o local. O trânsito na região começou a ser liberado no meio da tarde.
As 68 pessoas presas -segundo a polícia, todos manifestantes- foram encaminhadas para o Departamento de Operações Especiais da Polícia Civil, onde permaneciam até as 17h30 de ontem. Dois teriam menos de 18 anos. Segundo a Polícia Civil, os maiores de 18 anos serão indiciados por crime de resistência.
‘‘A PM tentou exaurir as negociações com os perueiros, mas, infelizmente, eles se deixaram levar pela idéia de que o uso da força poderia resolver, a PM não teve outra opção a não ser usar a força’’, disse o coronel PM Severo Augusto, que comandou as operações. A PM, que pediu ontem à Justiça a prisão preventiva de alguns dos líderes do movimento, não se pronunciou até o final da tarde sobre as pessoas que não tinham relação com a manifestação e que ficaram feridas.
Um dos líderes dos perueiros, Gilmar José Ferreira, disse que o incêndio no vagão da Cemig teria sido provocado por pessoas ‘‘infiltradas’’ na manifestação e disse que a PM usou de violência desnecessária. ‘‘Eles leram a liminar por meio do carro de som’’ e já vieram batendo em todo mundo, até na população’’, afirmou.
O prefeito Célio de Castro (sem partido) reafirmou não pretender negociar com os perueiros e disse que as 300 licenças que devem ser concedidas até agosto representam o número limite que a prefeitura vai conceder.

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