Protesto de perueiros em BH deixa 30 feridos e 68 presos
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quinta-feira, 19 de julho de 2001
Ranier Bragon Agência FolhaDe Belo Horizonte, MG 
Um protesto de perueiros realizado, ontem, em Belo Horizonte deixou o centro da capital mineira praticamente ilhado durante toda a manhã e acabou em confronto entre manifestantes e policiais militares. Pelo menos 30 pessoas, entre elas uma criança de 10 anos, ficaram feridas e 68 foram presas.
O protesto começou por volta das 5 horas, quando trabalhadores do transporte clandestino estacionaram cerca de 200 peruas no entorno da praça Sete, no coração da capital mineira, e ao longo da avenida Afonso Pena, a principal da cidade, paralisando o trânsito.
Eles exigiam liberação para poderem trabalhar, já que a Prefeitura de Belo Horizonte conseguiu liminar no final do mês passado proibindo o transporte clandestino na cidade.
A Polícia Militar cercou a área, aconselhou os comerciantes a baixarem as portas e bloqueou os principais acessos ao centro.
Os perueiros chegaram a espalhar combustível pelo chão da avenida e a ameaçar pôr fogo nas peruas. Por volta das 12 horas, pessoas que estavam entre os manifestantes usaram coquetéis molotov e um botijão de gás para incendiar um vagão da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) que fica estacionado na praça ocupada.
A PM iniciou então a desocupação. Foram utilizados bombas de efeito moral, jatos dágua e balas de borracha. Os manifestantes responderam com pedras e coquetéis molotov, mas correram diante do avanço dos policiais.
O hospital de pronto-socorro João 23, o principal da cidade, informou que atendeu 30 pessoas que ficaram feridas durante a confusão. Segundo o hospital, 20 dos feridos não tinham relação com a manifestação, mas foram feridas durante o tumulto. Nove seriam perueiros e apenas um policial militar ficou ferido.
Após a tomada da praça, a polícia cercou o local e rebocou todos os veículos (cerca de 70) para o pátio da BHTrans (empresa municipal que gerencia o trânsito na cidade). Diante da ação da polícia na praça, os perueiros que bloqueavam pontos da avenida Afonso Pena abandonaram o local. O trânsito na região começou a ser liberado no meio da tarde.
As 68 pessoas presas -segundo a polícia, todos manifestantes- foram encaminhadas para o Departamento de Operações Especiais da Polícia Civil, onde permaneciam até as 17h30 de ontem. Dois teriam menos de 18 anos. Segundo a Polícia Civil, os maiores de 18 anos serão indiciados por crime de resistência.
A PM tentou exaurir as negociações com os perueiros, mas, infelizmente, eles se deixaram levar pela idéia de que o uso da força poderia resolver, a PM não teve outra opção a não ser usar a força, disse o coronel PM Severo Augusto, que comandou as operações. A PM, que pediu ontem à Justiça a prisão preventiva de alguns dos líderes do movimento, não se pronunciou até o final da tarde sobre as pessoas que não tinham relação com a manifestação e que ficaram feridas.
Um dos líderes dos perueiros, Gilmar José Ferreira, disse que o incêndio no vagão da Cemig teria sido provocado por pessoas infiltradas na manifestação e disse que a PM usou de violência desnecessária. Eles leram a liminar por meio do carro de som e já vieram batendo em todo mundo, até na população, afirmou.
O prefeito Célio de Castro (sem partido) reafirmou não pretender negociar com os perueiros e disse que as 300 licenças que devem ser concedidas até agosto representam o número limite que a prefeitura vai conceder.


