Protesto de perueiros em BH atrapalha o trânsito na capital
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2000
Por Evaldo Magalhães 
Belo Horizonte, 24 (AE) - Centenas de perueiros que lutam pela regulamentação da atividade em Belo Horizonte estão concentrados desde cedo na frende da sede da prefeitura tentando uma audiência com o prefeito Célio de Castro (PSB). Pela manhã, eles provocaram um tumulto no trânsito da região central da cidade. Ocuparam um longo trecho da avenida Afonso Pena, uma das principais da capital, entre as Rua da Bahia e Avenida Alvares Cabral, com pelo menos 200 kombis. Os veículos ficaram estacionados em cinco das seis pistas de um dos sentidos da avenida, causando engarrafamentos em diversas vias de acesso à região.
Segundo o presidente do Sindicato dos Perueiros de Belo Horizonte, Neemias de Souza, há três meses a categoria tenta, sem sucesso, negociar com a BHTrans, empresa municipal que gerencia o trânsito na cidade, a legalização desse tipo de transporte. "Queremos a legalização dentro dos trajetos do sistema convencional de transporte coletivo", disse. A direção da BHTrans, por sua vez, oferece a possibilidade de regulamentar as peruas, mas apenas em linhas onde não haja ônibus. "Não vamos aceitar isso", afirma Souza.
A concentração dos perueiros está sendo acompanhada de perto por dezenas de policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar. Não houve confronto, mas o clima era tenso na porta da prefeitura. No local, os motoristas das kombis faziam churrasco e propestos com um caminhão de som. "Vamos ficar aqui até que o prefeito nos receba", disse o sindicalista. O prefeito Castro, que se recusa a conversar diretamente com os perueiros - ele alega que as discussões devem ser com dirigentes da BHtrans-, criou uma comissão especial, no início da noite, para conversar com os manifestantes. O encontro só aconteceria, porém, se eles liberassem a avenida.
"Já tomamos uma iniciativa e reabrimos as negociações. Agora vamos esperar que os perueiros tenham bom senso, retirem as kombis e encerrem o protesto que prejudica milhares de cidadãos", disse o secretário de Governo da prefeitura, Paulo Lott. A PM mantinha-se a postos. "Não queremos conflito, mas tambm não vamos permitir que uma manifestaço afete o direito de ir e vir de outras pessoas", afirmou o comandante de policiamento da capital, tenente-coronel Severo Augusto.


