São Paulo, 15 (AE) - O protesto de moradores das favelas da Mandioca e Aldeia, na Vila Jaguara, na zona oeste, complicou o trânsito na manhã de hoje, na Rodovia Anhanguera. Os manifestantes atearam fogo em barreiras feitas com pedaços de madeira, embalagens plásticas e pneus, em cinco pontos da rodovia e da Avenida Manuel Monteiro de Araújo.
O Corpo de Bombeiros foi chamado para apagar o fogo e 40 homens da Polícia Militar estiveram no local para conter os manifestantes. Por volta das 7 horas, já havia congestionamento na Anhanguera e na região do protesto. O Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran) não soube informar a extensão dos engarrafamentos e o horário em que as vias foram liberadas.
O motivo da manifestação foi uma decisão da Justiça, que determinou a reintegração de posse da área ocupada pelas duas favelas ao seu proprietário, o Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (DER). A desocupação está marcada para o dia 21. As famílias que vivem no local reclamam que não têm para onde ir e prometem continuar com os protestos até domingo. Desesperada, a vendedora Maria das Graças da Silva tentou jogar-se na frente de um caminhão. Foi impedida por vizinhos e queixou-se de injustiça. "Fiquei a noite inteira acordada, vigiando para ver se os tratores não iam vir de surpresa para destruir tudo".
"Por que não retiraram os barracos antes de as pessoas gastarem dinheiro com tábuas e tijolos?", perguntava o líder dos moradores, Gérson Dantas do Rosário. "As crianças já estão em escolas da região e, até a semana passada, nunca tinha vindo ninguém nos avisar que era proibido viver aqui".
O DER pôs à disposição um caminhão para retirar os móveis dos moradores e ofereceu passagens para os favelados que desejarem retornar a suas cidades de origem. "Como voltar se lá não ganhamos nem para comer?", perguntou a catadora de papelão Janete Moraes Roma, de 24 anos. Há um ano, Janete veio de Feira de Santana, na Bahia, com o marido desempregado e quatro filhos. (Luciana Garbin)

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