Protesto de metalúrgicos pára fábrica da GM em São Caetano
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quinta-feira, 06 de maio de 1999
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 07 (AE) - A fábrica da General Motors de São Caetano do Sul ficou sem produzir durante quase quatro horas na manhã de hoje, por causa de um protesto dos empregados contra o aumento de preços dos veículos e pela renovação do acordo que reduziu impostos e preservou empregos no setor.
Sindicalistas chegaram a invadir as linhas de montagem para fazer "arrastões" e garantir a participação de todos os empregados num ato público na avenida Goiás, principal via de trânsito da cidade. Apesar de algum empurra-empurra, não houve danos às instalações e a manifestação acabou sendo pacífica.
Sindicatos de metalúrgicos de São Paulo, Santo André, Guarulhos e Diadema, todos com grande concentração de indústrias de autopeças nas suas bases, enviaram representantes. Eles estimaram que, para cada demissão nas montadoras, ocorrerão outras dez nas empresas de componentes. Por isso, pretendem organizar novas manifestações e assembléias com empregados desse segmento.
A retomada de negociações do governo com as montadoras agradou sindicalistas, mas eles ainda não estão completamente convencidos de que o mercado de veículos será retomado somente com a continuidade da redução de impostos. Isso porque as empresas aumentaram os preços dos automóveis em até 10%. O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, que liderou o protesto, afirmou que o reajuste deve ser bem menor, em torno de 5%, e mesmo assim há risco de nova retração do mercado.
Paulinho conversou por telefone com o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, logo após a manifestação. Segundo o sindicalista, Pinheiro Neto informou que a entidade vai cumprir a exigência do governo, de apresentação de dados auditados sobre a situação financeira do setor, e comprovar assim a necessidade do reajuste de preços.
Revisão - O presidente da Força Sindical disse ainda ter informações de que das quatro maiores fabricantes de automóveis - Fiat, Ford, General Motors e Volkswagen - apenas uma não concordou com a revisão do reajuste de preços. As demais, segundo ele, teriam aceitado reduzir o índice para mostrar ao governo sua disposição em renovar o acordo. O protesto na GM foi encerrado com uma passeata contornando a empresa.
Uma bandeira gigantesca, com o símbolo da Força Sindical e pedindo "paz no mundo" foi estendida na Avenida Goiás. Hoje foi o segundo dia consecutivo de manifestações no ABC. Na quinta-feira, os metalúrgicos da Ford, Volkswagen e Scania, ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) paralisaram a produção e fizeram passeatas e ato público com cerca de 15 mil trabalhadores.


