Protesto de índios cobra melhorias na saúde
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quinta-feira, 05 de dezembro de 2013
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Jataizinho Cerca de 50 índios de duas reservas da região ocuparam ontem praça de pedágio na BR-369, em Jataizinho (Região Metropolitana de Londrina), para protestar por melhores condições no atendimento de saúde. O grupo obrigou os funcionários a abrir as cancelas e liberar a passagem de veículos sem pagamento da tarifa.
Mudanças na gestão da saúde na Reserva Apucaraninha, em Tamarana (Região Metropolitana de Londrina), e as condições precárias no atendimento na Reserva Barão de Antonina, em São Jerônimo da Serra (Norte Pioneiro), motivaram a manifestação.
O cacique da Reserva Apucaraninha, João Cândido, contou que a população se revoltou após uma alteração feita sem o consentimento das lideranças locais. Segundo ele, um médico realizava os atendimentos na reserva indígena uma vez por semana. O profissional e os medicamentos eram disponibilizados pela Prefeitura de Londrina. No entanto, o cacique foi informado na semana passada que a Prefeitura de Tamarana assumiria o serviço. "Nós gostamos do trabalho feito por Londrina e agora estamos sem médico. Ninguém trabalhou nessa última semana", criticou.
Cândido ressaltou ainda que mais de 2,1 mil indígenas são atendidos no local e há apenas quatro agentes de saúde. "Ninguém respeita a nossa cultura. A Constituição diz que quando vai mudar alguma coisa, todo mundo precisa ser ouvido", disse uma das líderes da Reserva Apucaraninha, Gilda Kuitá.
A população da Reserva Barão de Antonina também está insatisfeita. O cacique Cleber da Silva afirmou que um médico da Prefeitura de Londrina realiza os atendimentos duas vezes por semana, mas um imóvel construído na reserva indígena destinado ao setor da saúde está fechado por falta de funcionários e de equipamentos. "O lugar está pronto. É um mini-hospital, mas não tem gente para atender", contou.
O protesto foi acompanhado por equipes da Polícia Rodoviária Federal. Os policiais temiam que novos grupos liderassem manifestações em outras praças de pedágio da região. Por meio de um buzinaço, os indígenas receberam o apoio dos motoristas que passaram pelo local. "Eles estão certos. A saúde vai mal para todo mundo", disse o pedreiro Paulo Humberto.
Em 2010, foi criada a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), área específica do Ministério da Saúde para coordenar e executar as atividades relacionadas à atenção básica, do Sistema Único de Saúde (SUS). Portanto, desde então o município de Londrina cede um médico para atender nas reservas, já que o governo federal teria essa responsabilidade. Conforme a Secretaria Municipal de Saúde, o médico em questão será mantido até que haja a substituição.
Segundo a assessoria de imprensa da Sesai Regional Sul, um novo profissional será contratado por meio do programa Mais Médicos e deve começar a trabalhar em janeiro. "Com essa contratação, o médico irá cumprir um regime de trabalho de 40 horas semanais, exclusivamente na reserva", garantiu. Sobre a manutenção do médico que atende atualmente, a assessoria informou que não tem essa possibilidade. "Sabemos do vínculo que a comunidade possui com ele, mas o médico pertence ao município e não à Sesai."
Os índios encerraram a manifestação no início da tarde, mas prometem retornar e permanecer por 90 dias no pedágio caso o médico não seja mantido.
A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) que disse que não se posicionaria já que a questão não era relacionada ao pedágio. A concessionária Econorte, responsável pela praça onde houve o protesto, também foi contatada, mas não deu retorno até o fechamento da edição.(Colaborou Marian Trigueiros)


