Belém, 02 (AE) - A Rodovia Transamazônica está fechada desde a noite de ontem, na altura do km 88, em Medicilândia, no sudoeste do Pará, por cerca de 500 produtores de cana de açúcar e funcionários da usina Abraham Lincoln, administrada pelo Incra. Eles dizem que só liberam a estrada quando a direção do instituto em Brasília liberar verbas retidas da usina para pagamento de fornecedores e funcionários. Caminhoneiros e motoristas de ônibus reclamavam bastante da interdição da rodovia, mas eram convencidos pelos manifestantes sobre as razões do movimento.
O comandante-geral da Polícia Militar paraense, Faustino Neto, afirmou que suas tropas não irão tentar desobstruir a rodovia porque esta é federal. "Isso compete à Polícia Rodoviária Federal. O que estamos fazendo e colocar o nosso pessoal de sobreaviso para entrar em ação se houver alguma violência ou distúrbio por parte dos manifestantes".
Os ânimos estavam exaltados entre os produtores de cana e funcionários da usina. "O governo fica em seu gabinete refrigerado em Brasília totalmente alheio ao que ocorre nesse mundão de floresta onde vivem mais de um milhão de brasileiros"
criticou o produtor Antonio do Rosário Lima. Ele disse que o Incra "deu calote" e agora se esconde para não pagar. "Só eu tenho mais de R$ 200 mil para receber", emendou Mário Oliveira.
O prefeito de Medicilândia, Francisco Aguiar (PTB), que dá "total apoio" ao protesto, explicou que o fechamento da Transamazônica foi o último recurso que os produtores e funcionários da usina encontraram para "chamar a atenção" do governo federal. Aguiar aproveitou para negar que os manifestantes estejam com a intenção de explodir o linhão que leva a energia da Hidrelétrica de Tucuruí para toda a região oeste. "Isso não vai acontecer porque ninguém aqui é terrorista". A ameaça havia sido feita por integrantes da Associação dos Produtores da Usina Abraham Lincoln.
Aguiar disse que a agência do Banco do Brasil continua fechada pelos manifestantes. Em Brasília, o Ministério de Política Fundiária está tentando liberar o dinheiro para pagar créditos e servidores da usina. A consultora da usina em Brasília, Patrícia Chaves, segundo Aguiar, prometeu que até o final do mês o problema estará resolvido. "O pessoal quer resolver já, sem novas protelações", argumentou o prefeito.

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