Cerca de 200 pessoas participaram ontem de uma passeata em favor da greve que paralisa as universidades federais em todo o país. Em Londrina, o protesto marcou a prmeira manifestação de rua da comunidade da Universidade Tecnológica Federal (UTF-PR), instalada há cinco anos na cidade. Professores dos campi de Cornélio Procópio (Norte Pioneiro) e Apucarana (Região Norte) também participaram do protesto.
Professores, alunos e funcionários da escola usaram cartazes, apitos e palavras de ordem para chamar a atenção dos pedestres e motoristas que circulavam no centro no final da manhã. A concentração e a dispersão ocorreram na Concha Acústica. Antes de passar pelo Calçadão, a passeata bloqueou por poucos minutos o trânsito em pequenos trechos da Avenida Rio de Janeiro, da Alameda Miguel Blasi e da Rua João Cândido.
Segundo um dos organizadores do protesto, o professor dos cursos de Tecnologia de Alimentos e Engenharia Ambiental, Marco Antonio Ferreira, o número de manifestantes só não foi maior por causa do grande número de estudantes de outras regiões do País que estudam na instituição e que estão ausentes da cidade. Não há aulas no campus de Londrina desde o dia 15.
A greve foi deflagrada após fracasso nas negociações entre o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior e o governo federal. Os grevistas reivindicam uma reestruturação no plano de carreira da categoria, além do cumprimento do acordo que estabelecia reajuste de 4% para março. ''Há expansão da quantidade de instituições federais mas não há preocupação com a qualidade'', atacou Ferreira.
A situação pode se agravar a partir do dia 11, quando a paralisação pode ser engrossada pelos funcionários das unidades e pela adesão dos professores dos institutos federais. Ferreira acredita que as manisfestações de rua devem ser intensificadas. ''Não há nenhuma perspectiva de um entendimento a curto prazo. Não há uma sinalização de entendimento por parte do governo''.
Os estudantes apoiam a greve dos professores, mesmo sabendo que o calendário escolar pode ficar comprometido se a paralisação perdurar. ''Não adianta nada os professores lutarem sem a participação dos alunos. Vale a pena comprometer um pouco o presente mas garantir o futuro do ensino superior público'', explica Lucas Chernev, 20 anos, aluno do 4º ano do curso de Engenharia Ambiental e vice-presidente do Centro Acadêmico. De acordo com Chernev, os alunos estão se comunicando por redes sociais e a articulação entre os universitários tem se fortalecido.
O técnico administrativo Weslei Trevisan Amancio, delegado do Sinditest (que congrega os funcionários dos campi do Paraná), disse que sua categoria também deve se decidir pela greve a partir do dia 11. ''Há uma tendência muito grande para isso acontecer''.

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