Brasília, 28 (AE) - Protesto convocado pela União Nacional dos Estudantes (UNE) contra os reajustes de mensalidades em instituições particulares e a escassez de recursos nas universidades federais reuniu hoje (28) cerca de 90 alunos na frente do Ministério da Educação (MEC). Menos de 20 homens da Polícia Militar permaneceram no local, onde não houve incidentes. O ministro Paulo Renato Souza está no Reino Unido, onde reúne-se com autoridades educacionais inglesas até o fim da semana.
Não mais do que dez universitários participaram do ato, que foi organizado também pela União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes). Os demais presentes eram alunos de ensino médio da rede pública do Distrito Federal. "É um enigma", admitiu o diretor de Políticas Educacionais da UNE, Christian Lindberg, de 23 anos, lamentando a ausência de maior número de estudantes no Dia Nacional de Lutas organizado pela entidade em todo o País.
Segundo Lindberg, a maioria dos universitários estuda em instituições particulares e, por isso, trabalha durante o dia "para pagar a mensalidade". Já nas universidades públicas, os alunos estão mais preocupados com sua formação acadêmica e envolvem-se apenas em atividades internas, na opinião do diretor da UNE.
A entidade informou que a média de reajuste de preços nas universidades particulares foi de 200% nos últimos quatros anos, diante de uma inflação de 45% no período, segundo nota divulgada pela UNE. "A educação não pode ser tratada como bem de consumo", criticou o presidente da Federação de Estudantes Universitários de Brasília (Feub), Fernando Hugo Rabelo Miranda. Ele reivindicou ainda regras mais flexíveis para atender um maior número de estudantes no Financiamento Estudantil, novo programa de crédito educativo do governo.
Em maio, a UNE deve entregar documento ao ministro Paulo Renato propondo a expansão das vagas nas universidades federais. A idéia é que, até 2002, mais 200 mil vagas sejam criadas. A entidade defende que, para isso, sejam contratados 8 mil professores, de modo a repor os atuais professores substitutos. A proposta da UNE vai ser discutida ainda em 20 instituições federais antes de ser encaminhada ao MEC.