Pouco se falou sobre a chacina de Vigário Geral durante o protesto pelos sete anos do crime, ontem, na Igreja da Candelária, organizado pela Frente de Luta Popular (FLP). Durante três horas, lideranças comunitárias fizeram críticas à Secretaria de Estado de Segurança, ao governador Anthony Garotinho, ao presidente Fernando Henrique Cardoso, à dívida externa e falaram até em favor da liberdade do Timor Leste. A chacina de Vigário Geral, em que 21 pessoas foram mortas, acabou ficando em segundo plano.
‘‘Esse é um protesto contra a violência policial em geral e pela cidadania’’, explicou o líder do ato, André Fernandes, que esperava representantes de pelo menos 20 favelas na manifestação. De acordo com a polícia, o ato reuniu 320 pessoas, entre sem-teto, sem-terra, estudantes e moradores da Favela dos Bancários, na Ilha do Governador.
Havia praticamente o mesmo número de PMs: 60 em frente à Candelária, 140 ao longo da Avenida Rio Branco, na Cinelândia, além dos que estavam à paisana, filmando e fotografando o protesto.
Para Fernandes, o movimento foi ‘‘esvaziado’’ por causa da determinação do secretário de Segurança para que a polícia registrasse o encontro. Ele desconfiava da participação de traficantes depois de uma das lideranças comunitárias, Antônio Carlos Gabriel, o ‘‘Rumba’’, ter defendido a participação desses criminosos em manifestações populares.
No fim da tarde, os manifestantes se dirigiram em passeata para a Central do Brasil. Não houve incidentes.

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