Curitiba- O segundo dia da COP-8 foi marcado por novo protesto de movimentos sociais de vários países que integram a Via Campesina. Ao chegarem ao ExpoTrade, local do evento, em Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, as delegações oficiais foram recebidas com vaias pelos cerca de 400 manifestantes. A briga agora é contra as chamadas ''sementes Terminator'' ou ''sementes suicidas'', que passam por modificação genética, tornando-se estéreis.
As tecnologias genéticas de restrição de uso batizada de Gurts (Genetic Use Restriction Technologies) , onde se enquadram as sementes Terminator, é um dos temas em discussão na COP-8.
Alguns países como Estados Unidos e Canadá querem a liberação das pesquisas em campo com essas sementes que, por enquanto, estão restritas aos laboratórios. Na reunião preparatória para a COP-8, realizada na Espanha, em janeiro, Canadá, Austrália e Nova Zelândia defenderam o fim da moratória e propuseram análise caso a caso para liberação dos testes em lavouras.
A ativista e apicultora canadense, Karen Pederson, da Nation Farmer Union (NFU), entende que os experimentos saírem dos laboratórios para campos abertos, representarão a ''contaminação'' do meio ambiente.
Alberto Gomes Flores, ativista da União Nacional de Organizações Regionais dos Camponeses Autônomos (Unorca), do México, vai além da questão ambiental. ''Quem controla as sementes, controla toda a cadeia alimentar'', disse ele, referindo-se ao domínio de multinacionais no melhoramento genético para a produção de grãos.
Uma reunião da delegação brasileira, na tarde de ontem, definiu que o País manterá seu posicionamento contrário ao fim da moratória. Segundo informações do site do evento (www.cdb.gov.br), a decisão foi comunicada à ministra Marina Silva e, em tese, desfaz divergências entre o Ministério do Meio Ambiente e os ministérios da Agricultura e da Ciência e Tecnologia.
De acordo com o chefe do Departamento de Temas Especiais do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Luiz Alberto Figueiredo Machado, a delegação nacional julgou que o texto proposto em Granada, poderia levar a ''dúvidas de interpretação''.
As instituições de biotecnologia defendem que as Gurts se apresentam como alternativa para contribuir com o desempenho da produtividade agrícola, da biossegurança e da proteção de cultivares e patentes. As sementes estéreis, segundo o Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), evitariam, por exemplo, cruzamentos indesejáveis entre espécies convencionais e geneticamente modificadas.

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