Londrina – Um grupo de aproximadamente 40 pessoas bloqueou o tráfego na Avenida Duque de Caxias, na tarde de ontem, para protestar contra o recente reajuste da tarifa do transporte público. Os manifestantes, ligados à Associação de Moradores do União da Vitória (zona sul), utilizaram pedras de uma construção para bloquear os dois sentidos da avenida, no trecho ao lado do Centro Cívico. Em poucos minutos, a Polícia Militar foi acionada e liberou o trânsito, inclusive com uso de bala de borracha que atingiu um manifestante de 23 anos. Doze pessoas - sendo cinco adolescentes - foram detidas, mas foram ouvidos e liberados.
Os participantes do protesto reclamaram da violência policial. "Estávamos protestando por um motivo justo e a PM já chegou batendo em todo mundo. Eles dispararam bala de borracha em direção às crianças. É um absurdo", criticou o churrasqueiro Ricardo Nunes, de 30 anos. O motorista Carlos Ferrari, de 53, recolheu uma cápsula de uma munição não letal que ele afirma ter sido utilizada pela PM. Ele procurou a delegacia para registrar um boletim de ocorrência. "Era um protesto pacífico, não havia motivo para tudo o que ocorreu", lamentou.
Segundo o porta-voz do 5º Batalhão da Polícia Militar, capitão Marcos Tordoro, os policiais relataram que durante a ação, os manifestantes arremessaram pedras contra as equipes, que reagiram com munição não letal. "Recebemos a informação de que eles estavam hostilizando os motoristas dos ônibus que passavam pelo local. Quando a equipe chegou, viu que demandava uma ação rápida para liberar a via, pois foi constatado o cometimento de vários delitos ao mesmo tempo", disse. "Quando a manifestação é ordeira, nossa orientação é de que haja a negociação, mas não foi o que ocorreu ali", comentou.
A intenção dos manifestantes era chamar a atenção do prefeito Alexandre Kireeff (PSD) para o alto valor da tarifa, que passou de R$ 2,35 para R$ 2,60 no primeiro dia do ano. Como o prefeito estava acompanhando a questão dos abalos no Jardim Califórnia, eles foram atendidos primeiramente pelo secretário de Defesa Social, coronel Rubens Guimarães, e depois pelo procurador jurídico do Município, Paulo César Valle.

Protesto contra reajuste da tarifa termina em confusão
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Enquanto Guimarães informou que a prefeitura não acionou a PM e que a Guarda Municipal não atuou no episódio, Valle mostrou aos manifestantes a decisão judicial que obriga o município a garantir o lucro líquido de 7,5% às empresas de ônibus, conforme prevê contrato de 2004. "O município discorda e recorre da decisão que contempla essa lucratividade, mas se não acartamos agora estamos sujeitos a pena de R$ 30 mil por dia", explicou o procurador.
Pelas redes sociais, o Kireeff comentou o assunto. "Nem todos conhecem a questão jurídica que determinou que nossa tarifa fosse de R$ 3,60 e não de R$ 3,30 conforme cálculo da CMTU. Estamos demandando na Justiça, mas, desde março de 2015, o judiciário entende que a taxa de lucro de 7,5% deve ser incorporado ao cálculo tarifário e isso acaba gerando um aumento de 30 centavos no preço da passagem. Claro, estamos recorrendo da decisão desde que ela foi tomada, ano passado".
Os manifestantes prometeram continuar com os protestos. "Esse juiz que tomou essa decisão não pega ônibus, não sabe o que é comprometer metade da renda para ir e voltar do trabalho. Nós não aguentamos pagar isso tudo. Alguma outra solução a prefeitura precisa apresentar", cobrou Ferrari. O representante da Associação de Moradores do União da Vitória, Lucas Alves da Silva, de 26 anos, que organizou o protesto pelas redes sociais, informou que espera a adesão de mais pessoas nos próximos eventos. "Nosso interesse é conscientizar o trabalhador e fazer valer nossos direitos."

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