Protesto contra pedágio fecha a Castelo
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 19 de outubro de 1998
José Maria Tomazela Agência Estado 
Um protesto de caminhoneiros contra os pedágios paralisou por mais de duas horas, ontem de manhã, a pista oeste da rodovia Castelo Branco, na altura de Jandira, na Grande São Paulo. Motoristas que saíram cedo da Capital em direção ao interior enfrentaram até 16 quilômetros de congestionamento. A rodovia foi bloqueada às 8h30 no posto de pedágio do km 33 por um comboio de 55 carretas.
O comando da Polícia Rodoviária determinou a autuação dos caminhões que interromperam o tráfego. O valor da multa é de R$ 519,00 mas a Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (Fetcesp) ameaça com novos bloqueios se a punição for mantida.
Funcionários da Viaoeste, concessionária da Castelo, avisados com antecedência, montaram um aparato para a manifestação, incluindo assistentes sociais para atender idosos e grávidas, papa-filas para venda de cupons de pedágios, viatura e helicópteros. Mas não conseguiram impedir que os caminhoneiros fechassem 15 das 16 cabines de cobrança. Foi mantida aberta uma cabine para automóveis e ambulâncias.
Meia hora depois, os efeitos do bloqueio já eram sentidos no km 20, em Barueri. De um carro de som, os porta-vozes do Movimento da Cidadania contra o Abuso dos Pedágios, que reúne federações e sindicatos de transportadores e caminhoneiros, anunciavam suas reivindicações: isenção de tarifa da zero hora às 6 da manhã, redução de 50% no valor pago por eixo que é de R$ 4,40, e não-instalação de novas praças de cobrança. O não-atendimento nos levará à paralisação simultânea das principais rodovias do Estado, alertava José da Fonseca Lopes, presidente da Federação Interestadual dos Transportadores Autônomos de Carga que reúne 180 mil caminhoneiros de quatro Estados.
Para aliviar o congestionamento, policiais rodoviários desviaram o trânsito da Castelo para a rodovia Raposo Tavares, no km 31, em Itapevi, ou para a Marechal Rondon, pelo acesso de Santana do Parnaíba, a partir do km 26.
Conseguiam também que os manifestantes liberassem uma segunda cabine para os carros. Mesmo assim, a situação era de caos. Usuários da estrada dividiam-se entre o apoio ao movimento e as reclamações pela perda de tempo. Tudo bem que o pedágio está caro, mas eu tenho compromissos em Sorocaba e estou atrasado, dizia o representante comercial Braz Forastieri.
Perdi mais de uma hora aqui, mas o pessoal tem razão, disse o ferrador de cavalos Cesar Rodrigues Craveiro, que ia para Itu. O microempresário Sérgio Meirelles reclamou da falta de um aviso prévio. O advogado Tarek Massari apoiou: O pedágio é mesmo um roubo.
Ao passar pelo pedágio, depois do protesto, muitos caminhoneiros pagaram a tarifa com moedas de um, cinco e dez centavos. Eles que se virem para contar, disse o motorista Walter Alcides Garcia que ia para Ituverava e esperou quase 15 minutos pela conferência dos R$ 21,00 em moedinhas. É uma forma de protesto, afirmou o caminhoneiro Arnaldo Azevedo de Moraes que também pagou com moedas.
Os integrantes do movimento contra os pedágios alegam que as tarifas subiram 252% desde o início do Plano Real, contra uma inflação de 57,8%. Uma carreta de cinco eixos pagava R$ 6,25 de tarifa e hoje paga R$ 22,00, disse Paulina di Giorgio, conselheira da federação.
O deputado estadual Caldini Crespo (PFL), que preside a comissão de transportes da Assembléia Legislativa de São Paulo, disse que a questão dos pedágios será debatida em audiência marcada para o dia 11 de novembro. Vamos propor uma revisão nos contratos de concessão para eliminar os pagamentos feitos pelas empreiteiras ao governo. Com a redução do ônus das empresas, segundo ele, será possível reduzir o valor do pedágio.


