São Paulo, 29 (AE) - Um grupo de moradores atingidos pelas enchentes esperou o prefeito Celso Pitta (PTN), ontem, na inauguração da Escola Municipal Maria José Dupré, no Parque Anhanguera, zona oeste de São Paulo. Ao entrar no pátio da escola, a segunda a ser inaugurada durante a manhã, Pitta teve o percurso interrompido por uma moradora, que protestava carregando um cartaz: "Morro Doce pede socorro! Canalização urgente!".
"Já perdi minha casa não sei quantas vezes", disse a Pitta a dona de casa Genoveva Lopes, de 52 anos. "A cada chuva é a mesma coisa, a gente não consegue nem mais chegar na igreja."
O prefeito respondeu que iria tomar uma providência, e quis seguir adiante. Genoveva não se abateu: "Aproveita que o senhor tá aqui e vai lá para ver que horror." Pitta disse que não garantia a presença, mas que "o importante é resolver o problema." E entrou na escola.
Enquanto os discursos prosseguiam na solenidade, um carro de som mantinha os protestos em volume alto do lado de fora. A motorista de perua escolar Eva Souza, de 30 anos, disse que em razão das chuvas de segunda-feira cinco lotações com cerca de 30 crianças ficaram presas na água. "Esperamos três horas para poder passar."
Aproveitando-se da oportunidade o vereador Paulo Frange (PTB) distribuiu cartões com seu telefone. Moradores disseram que nunca o tinham visto por lá. "Não sei quem é, nunca veio aqui", disse Railda de Jesus Monteiro, de 46 anos. Já dentro da escola, Frange se disse feliz pela inauguração das escolas. "A educação é o futuro do país."
Ao comentar as 13 mortes por causa das enchentes, Pitta afirmou que "a Prefeitura levou a todas as instâncias as tentativas de retirar aquelas pessoas da área de risco". Mas vislumbrou um lado positivo no combate ao problema. "Apesar das fatalidades, os problemas estão ocorrendo em menores proporções em razão do trabalho da Prefeitura com os piscinões construídos, as canalizações feitas, o trabalho preventivo de limpeza de bueiros e bocas-de-lobo." Segundo ele, se "não fosse esse trabalho a situação seria muito pior."
Dados do orçamento, divulgados pelo gabinete da vereadora Ana Maria Quadros (PSDB), porém, mostram que dos R$ 18 milhões orçados, em 1999, para a limpeza de bocas-de-lobo, a Prefeitura reservou R$ 8 milhões, mas só gastou R$ 3,4 milhões. Na conservação e limpeza de galerias, canais e córregos, dos R$ 12 milhões orçados, foram reservados R$ 5,4 milhões, mas gastos apenas R$ 2 milhões.