Protesto contra demolição de maternidade reúne 300 no Rio
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2000
Por Roberta Pennafort, especial para a AE 
Rio, 24 (AE) - Cerca de 300 pessoas protestaram hoje contra a decisão da Prefeitura do Rio de demolir o prédio da Maternidade Praça 15, no centro, para continuar o Projeto de Frente Marítima, de revitalização da área. Funcionários, sindicalistas do setor de saúde e pacientes fecharam a rua e deram um abraço simbólico na maternidade, referência no tratamento de gestantes e recém-nascidos de alto risco. Eles não aceitam a proposta de transferir os leitos para o Hospital do Andaraí, na zona norte da cidade.
A maternidade - uma das poucas do Estado equipadas com Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal - continua funcionando normalmente, embora a diretora, Sara Ansejo, tenha sido deslocada para o Andaraí. A atual diretora, Betty Moszwicz, não participou da manifestação. Segundo os funcionários, ela não apóia o protesto.
De acordo com os funcionários, os cem leitos atendem a pacientes de muitos municípios vizinhos. "Tirar esse serviço do centro dificultaria para as gestantes que vêm de longe, ainda mais as que correm risco de vida", disse a enfermeira Célia Palhamo, há cinco anos na maternidade.
O presidente do Sindicato dos Médicos, Jorge Darze, afirmou que "a demolição da maternidade vai agravar ainda mais a situação em que se encontra a saúde pública no Rio". "Além de não construir maternidades, o prefeito agora quer demolir a melhor delas", disse Darze.
O vereador Alfredo Sirkis (PV-RJ), considera a decisão da prefeitura "fascista". "Não se pode demolir um prédio desse por uma simples questão estética", afirmou. No ano passado, a maternidade recebeu da Unicef o título de "Hospital Amigo da Criança", por causa de serviços como o banco de leite, que funciona dia e noite.
Praça - Embora a demolição não tenha data marcada, o prédio da maternidade, antes da Companhia Nacional de Habitação (Conab), já foi comprado. A prefeitura pretende limpar a área e criar uma praça arborizada, que será uma extensão da Praça 15. A revitalização prevê a abertura de uma esplanada entre a Praça 15 e a Candelária, para permitir aos pedestres ver o mar da Baía da Guanabara. A prefeitura pretende concluir a obra em quatro anos.
No fim do ano passado, cinco recém-nascidos morreram na UTI neonatal da maternidade, infectados por uma bactéria de ambiente hospitalar. A superlotação foi o motivo da infecção, conforme constatou a Secretaria Municipal de Saúde. Combatido o problema, a maternidade continuou a receber gestantes. São feitos no local 430 partos por mês.


