Protesto contra barreira da aftosa bloqueia ponte sobre Rio Paraná
Protesto contra barreira da aftosa bloqueia ponte sobre Rio Paraná2/Mar, 16:20 Por Luiz Carlos Lopes Presidente Epitácio, SP, 2(AE)- Cerca de 350 empregados de frigoríficos e transportadores de gado da região de Presidente Prudente, interditaram hoje das 9h às l1h a ponte Maurício Joppert da Silva, sobre o Rio Paraná, em Presidente Epitácio, para protestar contra o bloqueio imposto pelo Ministério da Agricultura, de transporte de bovinos procedentes de Mato Grosso do Sul para São Paulo. Durante a manifestação foram distribuídas 12 toneladas de carne para a população carente daquele município. O protesto, segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Alimentação de Presidente Prudente Carlúcio Gomes Rocha, que organizou a manifestação, foi motivado pela onda de demissões que atingiu os frigoríficos da região, a partir de 2 de janeiro, quando entraram em vigor das medidas restritivas de transporte de animais procedentes de Mato Grosso do Sul. A proibição, que impede o transporte de animais vivos ou abatidos com ossos objetiva isolar o foco de febre aftosa constatado naquele estado. Apenas a carne desossada tem transito autorizado. Rocha explicou que quatro frigoríficos já fecharam na região, demitindo 2.100 trabalhadores e que os três únicos que estão funcionando, ameaçam encerrar suas atividades a qualquer momento e dispensar mais duas mil pessoas. Além dos empregados de frigoríficos, centenas de caminhoneiros, que vivem do transporte de gado em pé, também estão impedidos de trabalhar. A crise do setor foi confirmada pelo gerente do Prudenfrigo de Presidente Prudente, José Antônio Marques, que também participou do protesto. Segundo ele, o abate mensal de dez mil animais já caiu pela metade e poderá ser totalmente suspenso, caso não sejam tomadas medidas para permitir o transporte de animais. O pior problema para os frigoríficos, segundo ele, é que com a interdição imposta, o preço do boi gordo caiu muito em Mato Grosso do Sul, beneficiando alguns frigoríficos daquele estado, que estão equipados para a desossa e que desta forma conseguem colocar a carne em São Paulo a preços muito baixos. "Enquanto pagamos em média R$37,50 a arroba de gado em pé existente no Estado, os frigoríficos de Mato Grosso do Sul estão colocando a carne desossada em São Paulo, por até R$ 30,00 a arroba", disse. A solução para o problema, segundo o presidente do Sindicato dos Empregados nas Indústrias de Alimentação, está na implantação de barreiras sanitárias e na instituição do sistema de quarentena para controle dos bovinos procedentes de MS. Há também denúncias de que alguns frigoríficos estão conseguindo burlar a fiscalização e transportar carne com osso para território paulista, mas esta informação não foi confirmada por Rocha.





