Fortaleza, 18 (AE) - Onze pessoas foram presas e pelo menos cinco feridas, na maioria levemente - entre elas um soldado - durante protesto contra as comemorações pelos 500 anos do Descobrimento, hoje pela manhã, na Praia do Náutico, em Fortaleza. A manifestação, que começou pacífica, terminou em quebra-quebra após confronto com a Polícia Militar. No começo da noite, após prestar depoimento e pagar fiança, os detidos foram liberados.
Cerca de cem pessoas participavam do ato distribuindo panfletos aos moradores e passantes. De repente, alguns participantes do protesto atearam fogo e começaram a jogar pedras no relógio comemorativo dos 500 anos do Descobrimento, da TV Globo. A PM foi chamada para evitar a depredação e, aí, teve início uma discussão verbal que logo se transformou em conflito e pancadaria. Alguns estudantes foram presos. Para impedir a saída da viatura policial com os detidos, os manifestantes sentaram no asfalto e fecharam a Avenida Beiramar. Mais confusão e mais gente presa.
O estudante André Luiz Araújo Sabino, que chegou a ser detido, foi ferido na cabeça, teve um dente quebrado e sofreu escoriações. Após ser atendido no Instituto José Frota, foi liberado. Outros manifestantes foram atingidos por cassetetes, ferindo-se de forma leve. O soldado da PM Reginaldo apresentava ferimentos no braço. Dos 11 manifestantes detidos, sete foram liberados de imediato e quatro indiciados por danos, desacato à autoridade e lesões corporais. Pagaram fiança de meio salário mínimo cada um e deixaram o 2º Distrito Policial à noite, depois de prestarem depoimento.
Excesso - O presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, deputado João Alfredo (PT) solicitou as fitas de vídeo da emissora de televisão local, TV Diario, que gravou todo o confronto. O parlamentar, que não estava presente ao protesto, disse que um pequeno trecho que viu da fita revela que houve excesso policial. Segundo ele, a comissão vai encaminhar uma denúncia neste sentido ao Comando da Polícia Militar do Estado, Secretaria de Segurança Pública e Corregedoria.
João Alfredo, que acompanhou os depoimentos no 2º DP , disse que vai pedir abertura de inquérito para que sejam apuradas as agressões contra os manifestantes. Surpresa - A mãe de André Luiz Araújo Sabino, Maria Francisca, estava certa de que o filho, de 27 anos, se encontrava na aula de Francês, quando viu, em um jornal televisivo, na hora do almoço, o rapaz desmaiado no meio do tumulto. Com problemas no coração, ela tomou sua medicação e seguiu para ajudar o filho no hospital; depois, o acompanhou no depoimento policial.
Segundo ela, o filho levou vários pontos na cabeça e deveria voltar ao hospital à noite porque havia passado mal quando se encontrava no 2ºDP. De acordo com a dona de casa, o rapaz tinha fortes dores de cabeça e quase desmaiou novamente. Maria Francisca disse temer alguma sequela. "A agressão foi muito forte e justamente na cabeça", observou ela.
Entre as entidades que faziam o protesto, que tinha como tema "500 anos de repressão", estavam a União das Comunidades da Grande Fortaleza, Movimento dos Estudantes Revolucionários, Comitê de Solidariedade às Comunidades Zapatistas e Movimento Anarquista.

mockup