Protesto cobra prisão de motorista alcoolizada
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segunda-feira, 07 de maio de 2018
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 

Familiares e amigos de Jean Goulart Camargo, 26, e Eliede Santos Oliveira, 42, realizaram na tarde desta segunda-feira (7), um protesto diante do Fórum contra a impunidade. Eles reclamam da liberação da motorista Daiane Cristina Freire, 37, ocorrida na sexta-feira (4). Ela estava presa desde o dia 1º de maio quando o veículo conduzido por ela colidiu contra a motocicleta em que os dois estavam e resultou na morte de ambos. A motocicleta estava parada no cruzamento das avenidas Dez de Dezembro e Guilherme de Almeida (zona sul). O teste do etilômetro de Freire registrou 0,51 mg/l de álcool, quando o limite de álcool tolerado na Lei Seca é de 0,05 mg/l, ou seja, ela tinha consumido dez vezes o maior valor tolerado pela legislação.
O juiz Luiz Gonzaga Tucunduva de Moura, que estava de plantão no feriado, decretou prisão preventiva de Freire. Na audiência de custódia foi mantida a prisão preventiva, no entanto, na sexta, o juiz Juliano Nanuncio entendeu que a prisão é desnecessária porque Freire não tem antecedentes criminais. Para responder em liberdade, Nanuncio impôs que Freire precisa ir mensalmente à Justiça para informar e justificar suas atividades; a proibiu de ser ausentar da comarca durante a instrução sem informar ao juiz e determinou o pagamento de fiança no valor de R$ 3.180 para assegurar o comparecimento a todos os atos do processo e evitar obstrução de seu andamento.
Desde o dia 19 de abril, entraram em vigor as mudanças no CTB (Código de Trânsito Brasileiro), que retira dos delegados o poder de arbitrar fiança nesses casos e, em tese, endureceria a pena para quem causasse acidente com morte e estar sob influência de álcool ou drogas. Pela nova lei, quem se enquadrasse nessa situação não teria mais o direito de pagar fiança, já que a pena para o crime passou de dois a quatro anos de prisão, para cinco a oito anos de prisão.
O movimento reuniu cerca de 20 pessoas, que trajavam camisetas lembrando Jean Goulart e portaram cartazes pedindo
justiça. A mãe de Jean, Suzete Alves Goulart questionou a decisão de Nanuncio. "Foi um baque para mim. Que justiça é essa? Meu filho está morto. A gente quer justiça. Essa moça não pode ficar solta", bradou. Ela afirmou que ao mesmo tempo que houve a mudança da lei, no caso de Freire houve um "amolecimento". "O juiz não podia ter feito isso. Vocês não sabem o que é a dor de uma mãe perder um filho. Ela acabou com a minha vida."
Goulart ressaltou que seu filho era um jovem muito bom, com muitos amigos. "Ele nunca teve passagem pela polícia. Era um rapaz trabalhador, uma excelente pessoa. A imagem dele de felicidade jamais vai acabar."
A amiga de Goulart, Patrícia Pires de Souza, 32, relata que conhecia ele do bairro Cafezal. "Quando soube da liberação da motorista eu senti raiva e ódio como mãe, como filha, como mulher, como cidadã e como motorista também. Esses motoristas que bebem e dirigem são irresponsáveis. Eles sabem que a gente perde o foco quando se faz isso, imagine a pessoa que atropelou o Jean, que estava com dez vezes o nível tolerado", argumentou. Segundo ela, a motorista que atropelou trabalha na área da saúde, e sabia que não poderia fazer um coisa dessas. "Isso é coisa de quem não tem amor ao próximo. Ela estragou a vida de três famílias. Não só a do Jean e do Elieder, mas a dela também."
O advogado de defesa da motorista, Thiago Issao Nakagawa, disse que iria falar somente o que consta nos autos.
"Primeiro houve a decisão do juiz de plantão e depois do juiz da audiência de custódia, mas as decisões até então elencavam muito a opinião pública, mas essas fundamentações não são válidas juridicamente. Este é um dos argumentos para conceder a liberdade. Houve a decisão depois da análise por um terceiro juiz da terceira vara criminal. Basicamente é isso", apontou.
Sobre a manifestação dos familiares e amigos das vítimas, Nakagawa afirmou que isso aconteceu no calor dos fatos. "Eu respeito o luto das famílias das vítimas e a família da Daiane também respeita esse luto, mas nenhum de nós vai se manifestar neste momento", afirmou.


