Ed Ferreira/Agência Estado
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DesmoralizaçãoIntegrantes do movimento Grito da Terra colocam um peru de gravada sobre a mesa do ministro Antonio Kandir Cerca de 600 agricultores que fazem parte do Grito da Terra Brasil invadiram ontem a sede do Ministério do Planejamento, em Brasília. Com porcos, cabras, galinhas e perus, os manifestantes ocuparam as dependências do prédio para pressionar o governo a liberar recursos para o Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) com custo zero nos empréstimos bancários. O peru foi colocado na cadeira do ministro Antônio Kandir, que estava em São Paulo participando de seminário sobre o Mercosul. A mesa de Kandir estava cheia de documentos. A decisão de ocupar o ministério surpreendeu até mesmo a direção da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), que coordena o movimento.
A ocupação durou cerca de 12 horas. Os manifestantes tiveram de recuar porque o governo não aceitou a pressão. ‘‘É uma ilegalidade’’, acusou o ministro interino da Justiça, Milton Seligman, que condicionou a retomada das negocições à desocupação do prédio. O ministro ainda culpou o Governo do Distrito Federal pela falha no ‘‘policiamento ostensivo da Esplanada’’, o que permitiu a entrada, sem dificuldade, dos manifestantes na Seplan. Na queda-de-braço com os manifestantes, o governo federal teve o apoio do juiz da 13ª Vara da Justiça Federal, Manoel Ferreira Nunes, que concedeu liminar ao mandado de manutenção de posse do prédio impetrado pela Advocacia Geral da União (AGU). A pedido de Seligman também será aberto um inquérito policial contra os manifestantes.
‘‘O movimento foi vitorioso, conseguimos reabrir a negociação e chamar a atenção da imprensa’’, afirmou Edson Pimenta, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado da Bahia. Cantando vitória, os manifestantes saíram do prédio por volta das 18 horas avisando que se o governo não cumprisse a promessa de dar uma resposta concreta às reivindicações, o movimento voltaria a invadir bancos e prédios públicos. ‘‘Invadiremos tudo o que nós tivermos força para fazer’’, ameaçou Francisco Urbano, presidente da Contag. Estava prevista para a noite de ontem uma reunião entre os líderes do movimento e os ministros de Política Fundiária, Raul Jungmann, da Justiça, Milton Seligman, e o secretário-executivo da Seplan, Martus Tavares.

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