Marília, SP, 03 (AE) - O protesto no assentamento da Fazenda Rodeio, em Presidente Bernardes, foi promovido por sem-terra que integram um acampamento instalado próximo, na Fazenda N.S. Aparecida, cedido pelo proprietário Jorge Assef para abrigar 300 famílias do Movimento dos Sem-Terra (MST).
Parte do grupo de manifestantes é procedente do extinto assentamento instalado ao longo da estrada que liga Teodoro Sampaio a Sandovalina, nos limites da Fazenda São Domingos. A São Domingos, de 1,8 mil hectares, é considerada símbolo pelo MST, que desde outubro de 95 passou a invadi-la sistematicamente. O proprietário Osvaldo Fernandes Paes decidiu resistir às ofensivas dos sem-terra.
O principal confronto ocorreu em fevereiro de 96, quando oito pessoas ficaram feridas. Depois dele, a São Domingos passou a ser vista também como símbolo de resistência dos proprietários rurais. A pressão do MST levou o Incra a realizar o processo de sua desapropriação, depois de uma vistoria que considerou a área improdutiva. O presidente Fernando Henrique Cardoso chegou a assinar decreto desapropriando a fazenda para reforma agrária, mas o ato encontrou resistência do proprietário, que derrubou a decisão no Supremo Tribunal Federal.
Na defesa foram juntadas cópias de 220 boletins de ocorrências policiais. De acordo com Paes, apesar da decisão do STF, que lhe permitiu reiniciar a produção, permanece o interesse pela transformação da São Domingos em assentamento. A Procuradoria-Geral do Estado anunciou que moverá ação discriminatória para determinar se as terras são devolutas, o que, se confirmado, pode garantir ao governo do Estado condições de reivindicar judicialmente a área, indenizando o proprietário apenas por benfeitorias executadas.

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