Curitiba - O feriado em comemoração ao Dia da independência do Brasil foi marcado ontem por protestos em todo o País, sobretudo nas capitais. Em Curitiba, centenas de manifestantes, organizados por meio das redes sociais, se reuniram na Praça Santos Andrade, no centro, de onde partiram em passeata até as proximidades da Avenida Cândido de Abreu, local da parada cívica. A Polícia Militar (PM), que escoltou todo o trajeto, com viaturas, cães e até um helicóptero, estimou o público da manifestação em 200 pessoas. Até o fechamento desta edição, não houve registro de feridos ou de incidentes mais graves.
Até às 12h de ontem, 26 participantes tinham sido encaminhados a um centro de triagem improvisado, montado no Centro Cívico. De acordo com a PM, a maioria portava objetos considerados perigosos, como materiais explosivos caseiros, estilingues, bombas de tinta sprays, bolinhas de gude e fogos de artifício.
A primeira apreensão, de um jovem não identificado, aconteceu ainda na concentração e gerou revolta por parte dos manifestantes. "Trouxeram dez mil carros de polícia para cá e não sei por que. O pessoal que estava se manifestando foi jogado contra a parede; revistaram todo mundo como se fossem vagabundos e marginais. Eu tenho certeza que quem está aqui é de bem, está de ‘cara limpa’. Deram uma gravata no cara, jogaram no chão, colocaram no carro da polícia e levaram embora. Esse é o governo que a gente tem", afirmou o bacharel em Literatura, Cristóvão Varnier, de 30 anos.
O microempresário Ricardo Garcia, integrante do movimento "Dia do Basta", disse que ficou "um pouco assustado" com o início do protesto e que decidiu participar para buscar uma "mudança social na sociedade". "Vim aqui e vi gente ser presa. Algumas pessoas alegam que ele (detido) estava com armas, mas uma amiga minha viu e disse que ele não estava com nada; estava apenas filmando", contou. De acordo com Garcia, o movimento tem como objetivo combater a corrupção em todos os níveis, como crime grave. "Temos como princípio a democracia, o apartidarismo; não somos contra partidos, mas somos apartidários; e somos pacíficos", completou.

Trajeto
No início da marcha, os PMs faziam bloqueios em todas as ruas que davam acesso à avenida, para impedir que os participantes interferissem no andamento do evento oficial, onde estavam o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), o vice-governador, Flávio Arns (PSDB), e o prefeito da capital, Gustavo Fruet (PDT). Por volta de 11h, um grupo se reuniu com os policiais e conseguiu negociar a entrada, porém apenas após a passagem do último carro do desfile.
Entre as manifestações ocorridas na manhã de ontem no País, a polícia registrou incidentes violentos no Rio de Janeiro e Brasília.

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