Pastores das igrejas protestantes históricas reuniram-se ontem com o cardeal-arcebispo do Rio, dom Eugenio Sales, para manifestar seu repúdio a qualquer protesto à visita do papa João Paulo 2º organizado por igrejas neopentecostais. De acordo com o pastor Mozart de Noronha Melo, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil - que preparou um documento de apoio ao papa -, o encontro foi motivado por declarações de integrantes de igrejas neopentecostais à imprensa em nome dos protestantes.
‘‘Essas declarações são levianas e irresponsáveis’’, disse Melo. ‘‘Esses evangélicos não representam os protestantes no Brasil.’’ Segundo ele, ‘‘protestantes e católicos estão juntos nessa caminhada ecumênica, representada pela vinda de João Paulo 2º ao Rio’’.
Melo disse ainda que os pastores das igrejas protestantes históricas ‘‘estão apreensivos’’ com as possíveis intervenções que os neopentecostais possam fazer durante a passagem do papa pela cidade. ‘‘Estamos irmanados com dom Eugenio e a Igreja Católica e as posições radicais não representam o espírito do protestantismo.’’
O pastor luterano enfatizou que os protestantes não negam suas diferenças com os católicos, mas argumentou ‘‘devemos ser irmãos nas diferenças’’. Ele classificou os grupos que hostilizam o papa de fanáticos e xiitas. ‘‘Eles acham que têm o monopólio do Espírito Santo e não aceitam nenhum tipo de diálogo.’’
O pastor Norbert Ellinger, da Igreja Evangélica Luterana do Rio, também no encontro, disse que se sente ‘‘muito mais próximo da Igreja Católica do que de certas igrejas evangélicas que vendem aos fiéis a salvação da alma’’. Segundo ele, essa prática, no século 16, foi a razão da criação de uma igreja comandada por Lutero, separando-se da Igreja Católica. ‘‘O que os católicos deixaram há séculos de fazer muitos evangélicos de hoje têm feito’’, afirmou.

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