Paris, 16 (AE) - O Partido Democrata Cristão alemão (a CDU) que, com Konrad Adenauer, construiu a Alemanha democrática após a guerra e fez o "milagre econômico" para, em seguida, realizar a "reunificação" das duas Alemanhas com o chanceler Helmut Kohl, não pára de se desintegrar.
Hoje, seu atual e provisório presidente, Wolfgang Schauble, por sua vez, foi forçado a renunciar ao cargo, levando a crise do grande partido alemão a seu auge.
Tudo começou com o antecessor de Wolfgang Schauble, Helmut Kohl, que ocupou a "chancelaria" durante muitos anos e que desfrutou, não só na Alemanha como no mundo inteiro, de uma reputação fora do comum: um sábio, um homem poderoso e respeitável, um democrata, um grande "europeu".
Mas Helmut Kohl foi finalmente vencido nas eleições de setembro de 1998, e o social-democrata Gerhard Schroeder tornou-se chanceler. Pouco depois começaram a circular boatos dando conta que o grande Kohl traficou com os cofres da CDU; que seu partido recebeu, em 1991, a enorme quantia líquida de 1 milhão de marcos, paga por um traficante de armas carcomido.
De repente, a "estátua" de Kohl se espatifou. O homem tornou-se um empestado. Foi obrigado a abandonar todos os seus mandatos na liderança dos democrata-cristãos. Foi substituído por seu antigo protegido, Wolfgang Schauble.
A CDU, fracassada com a queda de seu grande homem Kohl, agita-se após uma crise mortal. O mal, em vez de ser eliminado com a destruição de Kohl, não cessa de se agravar. Hoje, é o sucessor de Kohl, Wolfgang Schauble, que é bombardeado de todos os lados: descobre-se que Wolfgang Schauble, do mesmo modo que seu chefe Kohl, recebeu grandes somas de dinheiro para a CDU do mesmo traficante de armas suspeito.
Portanto, depois de Kohl, é Schauble que teve de sair. Ora, não se trata de uma simples convulsão interna de um partido; há 50 anos a CDU desempenhou um papel tal na Alemanha que seu destino pesa inevitavelmente sobre o de todo o país.
A degringolada da CDU na opinião pública é brutal. O partido deveria perder fortemente as próximas eleições parciais, na Renânia- Vestefália do Norte e em Schleswig Holstein. A destruição desse partido seria perigosa para a democracia alemã. Esta sempre se baseou no equilíbrio entre os dois partidos: os social-democratas (atualmente no poder) e os democrata-cristãos. Se um desses pilares se desfaz, por qual outra organização os "decepcionados" da CDU vão ser absorvidos?
Obviamente, pensa-se no que acaba de acontecer na áustria, onde se constituiu um governo associando um partido da direita conservadora e o partido populista, para não dizer fascista, de Jorg Haider. Certamente, as situações são diferentes. Mas é claro que o populista demagogo Jorg Haider foi impelido para o alto devido ao descrédito dos partidos austríacos tradicionais. A ameaça, na Alemanha, seria então: os eleitores de direita que até agora votaram na CDU (cristã e democrata) não vão ouvir as vozes dos extremistas de direita, dos alemães semelhantes a Jorg Haider?
É claro que esse medo, no momento, é imaginário. Mas é preciso constatar a presença de alguns perigos. Principalmente porque, no centro da CDU, sempre existiu, tanto nos tempos de Adenauer como nos de Kohl, uma variante muito próxima da direita extremista: é o ramo da Baviera da CDU, denominado União Cristã Social (CSU), cujos discursos (xenófobos) não são muito diferentes daqueles do austríaco Jorg Haider.
Assim, observa-se o que vai se passar na direção da CDU: este partido encontra-se decapitado. Que nova cabeça será escolhida? Seu futuro presidente pertencerá à ala democrática da CDU (tendência de Adenauer ou de Kohl) ou o futuro presidente será um homem ligado à CSU da Baviera? Não sejamos pessimistas. São apenas hipóteses. No entanto, não há dúvida de que o austríaco Jorg Haider deve acompanhar com alguma emoção o que se passa atualmente na CDU alemã.

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