Sâo Paulo, 07 (AE) - A aproximação isolada do Brasil à Comunidade Andina de Nações (CAN) não se deve apenas ao fracasso das negociações para criar uma zona de livre comércio entre o Mercosul e os países andinos, ou à necessidade de aumentar as exportações do Brasil, mas também à nova onda protecionista surgida com alguns dos principais parceiros comerciais do País - Argentina, por exemplo.
A nova postura de alguns desses parceiros, adotada principalmente depois da desvalorização do real, está levando o governo brasileiro a ampliar mercados para seus produtos manufaturados por meio da renovação de acordos bilaterais já existentes ou de negociações mais amplas. Além da CAN, entraram na mira do Brasil o México e o Chile, que, cada vez mais, está longe do Mercosul.
O ministro de Relações Exteriores, Luis Felipe Lampreia, reconhece que essa investida isolada do País está criando certos atritos com seus parceiros comerciais no Mercosul, mas argumenta que não foi o Brasil que começou. "Não estamos fazendo nada à revelia de nossos parceiros, mas apenas buscando uma homogeinização comercial com outros", disse o ministro.
Lampreia reconheceu também que teria sido melhor iniciar essa negociações sob o esquema 4 mais 1, conforme determina o Tratado de Assunção. "Perseguimos por mais de dois anos uma aproximação com a Comunidade Andina e não conseguimos chegar a um entendimento. Nossos parceiros do Mercosul não querem dividir o mercado brasileiro com outros países", afirmou o ministro.
Como os acordos de complementação econômica com os países andinos (Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Chile e Bolívia, este dois últimos parceiros não plenos do Mercosul) terminam no dia 30 de junho, depois de ter sido prorrogado uma dezena de vezes, o Brasil tomou a iniciativa de substituir esses acordos com outros mais amplos para chegar a uma zona de livre comércio. "Consideramos que as preferências hoje existentes com esses países são insuficientes e não refletem o grande desenvolvimento da indústria brasileira", explicou Lampreia, se referindo à necessidade de ampliar a gama de produtos manufaturados e de maior valor agregado que o Brasil pode exportar.
Ao mesmo tempo em que o Chile se afasta ainda mais do Mercosul - em função da redução gradual de sua tarifa única de importação, que deve chegar a 6% em 2003 -, o Brasil também tomou a iniciativa de não apenas atualizar o acordo de complementação econômica como também ampliar o mercado para a exportação de ônibus e caminhões.
Com a Comunidade Andina de Nações, o Brasil terá, entre os dias 12 e 14 de maio, em Lima, a terceira rodada de negociações. "Já apresentamos as nossas listas de produtos e avançamos bastante", informou o ministro.

mockup