Rio, 21 (AE) - O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Paulo Antonio Skaf, afirma que a manutenção do bloco comercial do Mercosul está ameaçada devido à política argentina de tentar impor salvaguardas para a importação de produtos de outros países-membros. Na abertura, hoje, da 2ª Conferência Internacional Têxtil e de Confecção, ele citou o setor como exemplo da interferência desfavorável da argentina.
A Argentina está recorrendo à mediação da Organização Mundial do Comércio (OMC) para limitar a exportação brasileira de têxteis. Para Skaf, isto pode representar apenas o começo de uma política restritiva que poria fim ao acordo do Mercosul.
"Agora já estão falando em calçados", comentou, lembrando que, pelo Tratado de Assunção, assinado por todos os países-membros, não cabem no bloco comercial aplicações de salvaguardas tais como a limitação de quotas.
Ele informou que a Abit está agendando um encontro com o ministro do Desenvolvimento, Clóvis Carvalho, para pedir uma "ação forte" do governo brasileiro nesta questão, impedindo que o caso seja levado à OMC.
Para Skaf, o que realmente incomoda os argentinos são os investimentos de US$ 6 bilhões feitos pela indústria têxtil do Brasil nos últimos cinco anos para a modernização do setor. "Eles estão gastando energia no foco errado, o foco do protecionismo", criticou.
Ele afirmou que mesmo que a Argentina consiga formalizar sua queixa junto à OMC, não iria conseguir a restrição das importações, já que as vendas de produtos têxteis brasileiros para aquele país caíram nos últimos cinco meses.

mockup