Proteção só com delegacia específica
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quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Londrina - Todo e qualquer resultado prático surge a partir de debates e discussões. Sob este entendimento, profissionais da rede de saúde e assistência social, além de promotoras e juízas, participaram da 2ª Jornada Londrinense de Ações Integradas de Combate à Violência contra Crianças e Adolescentes, realizada até ontem no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
O evento é realizado pela Comissão Interinstitucional de Enfrentamento à Violência contra Crianças e Adolescentes de Londrina (Semear), em parceria com o Núcleo de Estudos e Defesa dos Direitos da Infância e da Juventude (Neddij), Comissão da Criança e do Adolescente OAB Subseção de Londrina e Nós do Poder Rosa.
Nos debates sobre a atuação da rede municipal de atendimento, dois pontos ganharam destaque: necessidade de prevenção e, consequentemente, importância das notificações dos casos e criação de uma vara específica para crimes contra criança e adolescente, que implica também em uma delegacia específica para essas vítimas.
"Nós viemos para trocar experiências, passar informações e capacitar todos os profissionais relacionados a esse público de crianças e adolescentes vítimas de toda forma de violência. É importante trabalharmos na prevenção porque quando chega nas barras da Justiça, os fatos já estão consumados", ressaltou Zilda
Romero, juíza da 6ª Vara
Criminal da Comarca de Londrina.
"A família não tem condições de dar proteção à vítima ou a escola não enxerga e a sociedade muito menos. Todo mundo se omite. Então esse evento é relevante também para dar visibilidade ao tema. Temos o Disque 100, onde as denúncias podem ser feitas anonimamente", reforçou.
Para a promotora da 6ª Vara Criminal de Londrina, Susana Feitosa de Lacerda, a base da prevenção deve ser fortalecida no ambiente escolar, justamente porque a maioria das violências sexuais ou físicas acontece dentro de casa. "Como a vítima muitas vezes não pode confiar no pai, mãe ou irmão, é com o professor que ela vai criar esse vínculo de confiança. Até mesmo porque é nesse ambiente que a criança passa a maior parte do tempo e é onde ela irá demonstrar um comportamento evidente ou até um sinal físico", justificou.
Em fevereiro, a promotora Susana ministrou a palestra "O papel da escola frente à violência contra crianças e adolescentes" para 1,5 mil professores da rede municipal de ensino. Na oportunidade, abordou formas de se detectar os sinais apresentados pelas vítimas e as medidas a serem tomadas. "Percebo que com as capacitações os profissionais da rede municipal de ensino têm procurado não só a promotoria, mas também o Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) e o Cras (Centro de Referência de Assistência Social), em busca de informação. Houve um certo encorajamento, mas veja, a gente não pode parar em um encontro. Isso tem que ser um trabalho contínuo. Foi um start, que não pode ser único", cobrou.
Outro ponto de partida para a prevenção é destacado por Ana Maria Arenghi, professora, advogada na Vara Maria da Penha e integrante do Semear. Ela comenta que as Unidades Básicas de Saúde têm como verificar se a mulher ou criança que busca atendimento sofreu algum tipo de violência e, diante disso, têm a obrigação de informar. "Precisamos fortalecer essa rede de atendimento às crianças porque na verdade temos uma rede ainda segmentada. É nessa base que também precisamos melhorar para que haja um encaminhamento correto e eficaz", declarou.
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