Proteção norte-americana ao Canal do Panamá deve continuar
Cidade do Panamá, 30 (AE-AP) - A abrangente proteção dos Estados Unidos ao Canal do Panamá encerra-se oficialmente nesta sexta-feira (31), quando o Panamá toma o controle da via marítima. Mas as forças dos Estados Unidos estarão a apenas uma ligação telefônica se houver alguma ameaça. A situação ao mesmo tempo conforta e incomoda os panamenhos.
Enquanto eles se preparam para assumir total responsabilidade sobre a administração do canal, autoridades panamenhas reconhecem que os Estados Unidos serão um importante fator nos planos de segurança - mas dizem que o governo norte-americano teria de consultá-los antes de qualquer ação militar.
O Tratado de Neutralidade entre os dois países especifica que se o canal estivesse prestes a fechar, os Estados Unidos poderiam tomar qualquer medida que considerasse necessária para mantê-lo aberto. Os tratados também reconhecem o antigo direito norte-americano de passagem prioritária para seus navios de guerra e os de seus aliados pelo canal.
"Os tratados foram interpretados de forma incorreta", disse o ministro de Interior Winston Spadafora à Associated Press. "Tem de haver consulta prévia" antes que os soldados norte-americanos possam chegar, afirmou.
Os partidos de oposição panamenhos exigiram que qualquer tipo discussão com os Estados Unidos ou outro país sobre a segurança do canal seja tornada pública - parte dos sentimentos mistos de segurança e desconfiança entre os panamenhos.
Até mesmo o falecido homem forte do militarismo, general Omar Torrijos, um nacionalista leal que assinou os Tratados do Canal em 1977 com o então presidente norte-americano Jimmy Carter, afirmou que o Tratado de Neutralidade garante que "os panamenhos sempre estarão sob proteção do Pentágono norte-americano".
Spadafora disse que um plano de segurança para o canal teria de levar em conta riscos como incursões de guerrilheiros esquerdistas colombianos além da fronteira entre os dois países, assim como o tráfico de drogas originário da Colômbia.
"O canal não pode ser defendido", diz Spadafora, apontando para a natural vulnerabilidade da via marítima ao terrorismo. "A retirada da presença militar norte-americana deixou um vazio. Temos de formular um plano de segurança para o canal baseado em medidas preventivas."
Durante a maior parte deste século, o canal que cruza o país e liga os Oceanos Atlântico e Pacífico foi abrigo de diversas bases militares norte-americanas. Ele ainda é considerado estrategicamente vital para os interesses regionais dos Estados Unidos.





